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4 de fevereiro de 2013

Escrever merda com amor

Transpiração. Criação. Perturbação. Dedicação. Saturação. Compreensão.
Não.
Nada disso.
Não é nada disto que quero dizer.
Não é nada disto que quero escrever.
Começa.
Não dá.
Não sai.
Não entra.
Não se aguenta e lamenta que a cabeça esteja lenta, adormecida, exausta e entorpecida.
E diz ele que quer ser escritor.
Por favor...!!
Está bem que o escritor bloqueia.
Está bem que a sua mente passeia.
Encontra e desencontra, perde e não encontra, inventa e acrescenta, apaga e rebenta, pelo menos tenta... Ou finge que o faz.
Ninguém te vê visto de trás.
Ninguém te lê!
Pronto, também não é preciso ficares assim.
Aceita as coisas de outra forma.
Que forma tens tu de ver vida, credo!
Que nem se quer se pode brincar.
Irra!!
O passeio da minha rua é esquisito e cheio de merda de cão.
Acho que é de cão.
Parece de cão.
Seja lá de quem for, uma coisa é certa, é merda!
São corridas de obstáculos para ir do banco partido do carro para o passeio merdoso.
Mas são sempre encantadoras as travessias merdosas até à porta do prédio.
E nisto se resume uma qualidade humana questionável mas sobretudo admirável.
É de facto notável que se possa retirar encanto da... merda!
Só posso querer ser escritor, ou então sou mesmo é estúpido... o que também se encaixa no elogio acima aromaticamente elaborado.
Portanto, quer com isto dizer ou acabei de descrever um encanto de merda ou foi simplesmente estupidez, seja como for se já cheguei até aqui por que não continuar?
Escrevo quando os outros dormem.
Penso quando os outros sonham.
Sonho coisas que ninguém pensa e penso em coisas que ninguém sonha.
Chego a casa e vou direito a ti.
Ver de ti.
Dormes pois claro, acordas cedo e eu... contigo me levanto, ainda que parte de mim fique ali onde estamos.
Já volto.
Metade de mim é o que escrevo.
Já a outra metade é a metade que não tem nada para escrever.
Olho para ti e os segredos da magia adensam-me o sorriso.
Que bom é pensar e sonhar contigo.
(schiiiuuuuu) Não contes a ninguém. Não gosto que saibam o que sonho, sou egoísta como sabes, mas como és tu, não tem mal, pois não?
Sabe tão bem contar-te os meus sonhos.
Às vezes tento escrever poesia.
Às vezes sai qualquer coisa, qualquer réstia de sinfonia métrica, que sustentada nas palavras contratadas se assume aos olhos sob a forma de um poema.
Há pouco pensei coisas tamanhas, enormes façanhas e sentimentos redondos.
Há pouco senti, como um murro no estômago, mas de sorriso valente, que o amor que te tenho me torna mais gente.
É tarde!?.
Eu sei.
Mas ainda não acabei.
Já nem sei tão pouco a razão pela qual comecei...
Mas deixa lá isso, pelo menos por agora, não vês que está vento lá fora e que a merda ainda está no passeio, e que dela ele está pouco menos que cheio.
Aqui dentro é limpinho. Não é?
É o cheiro do carinho, do cantar de um miminho que soa sempre tão certo.
É perto.
É grande.
Enorme.
Deixa-me que te conte a história do que vejo em ti.
Espera só um pouco que começa mais ou menos assim:
"Há não muito tempo atrás, ela, a rapariga, e ele, o rapaz...".
Já chega. Conto-te o que falta ao ouvido.
Vai ser um dia comprido.
Deixa-te estar deitada.
Estou a sonhar não tarda nada e já te acordo, sim?
Beijo.
Teu,
Martim.

P.S - Merda!
Já é tarde e ainda não estou ao pé de ti 

19 de março de 2012

Como se ama novamente? Lâmpadas de luz intermitente

A pergunta não é simples, a resposta?
Haverá sequer, uma resposta?!
Será alguém capaz de explicar se é ou não possível voltar a amar alguém depois de se perder um amor de uma vida?
Como será o amor depois da dor mais profunda, do luto, da tristeza indescritível, da descrença no presente e na incerteza no que está para vir, da sensação mais porca e imunda, mais dolorosa e profunda?
Eventualmente... será novo.
Eventualmente trará medo.
Eventualmente, estar-se-à mais preocupado com o que não se quer sentir, do que com o que se pode passar, ou onde se pode chegar!
Tentar outra vez depois de uma situação de choque, de ruptura, de quebra, de dor, é sempre complicado, envolve uma preparação psicológica tremenda.
Imaginem que sofrem um acidente de mota, de carro, ou qualquer outro tipo de acidente menos dramático, mas igualmente acidental, onde  partem todinhos(as).
Nos tempos que se seguirem será difícil enfiarem-se novamente dentro de um carro, em cima de uma mota ou oceano dentro, porque o medo de poderem ver repetido tudo o que já passaram é terrível, só a leve ideia de isso se passar novamente é totalmente assustadora, aterradora, dolorosa, angustiante, sufocante, desesperante, tenebrosa...
Como angustiante é a ideia de pensar em sofrer novamente, seja de que tamanho for o sofrimento em questão.
Porque o sofrimento também ele tem altura, peso e largura, acima de tudo tem volume, maior ou menor consoante o que se sente, e a certeza de que aquilo que foi, NÃO VOLTA NOVAMENTE!
E para se amar novamente, é preciso não ter medo de cair, ou fazê-lo a sorrir.
E Ele está sempre à espreita do fugaz deslizo da alma ansiosa pela compensação, pelo sorriso, pelo carinho, doçura, ternura, preocupação, companhia, protecção, alegria, pelas conversas de olhares de magia.
E como será que tudo se processa nessa altura?
E será, que ao menos dura?
Que vale a pena a aventura?
Será que a alma se segura?
Quem sabe que responda, se ao menos o tamanho da onda é proporcional ao da mão que me segura.
Se a sensação que se segue não é mais que uma aventura...
Se há quem seja, capaz de ser maior do quem beija, de ver além, o que aquém mais não causa dor. Pode responder por favor?
Do ventre sai a palavra, aquela a que chamam Amor.
E a mente que tudo sente, que não há quem tente, ou fique sequer indiferente a tudo o que vai vendo na frente, provérbio indefinido da gente, que deixa que a atormente, num paladino sentimento percursor.
Será tudo isto o medo eterno do Amor?
Quem não arrisca não petisca, já diz o povo sabedor. 
Os conselhos do povo, são eles de maior ou mais curto valor?
Ao imprevisto não resisto e de mim bem sei que nao desisto, por isso insisto e volto a pensar mais um pouco nisto.
Deito-me e não durmo.
Clássico.
Normal.
De comer até me esqueço.
Não é bom, pois não, pois então o que fazer com tanta incompreensão?
Onde chega o grau de aceitação da sensação que te foge da mão e te esventra o coração, te devora a razão e toda e qualquer outra racionalização.
Por entre filmes e documentários, livros, textos e outros tantos cenários, não se prova o seu contrário.
Que sim.
Que é possível.
Que o amor nos descobre e não o contrário.
Que também ele nos absorve e nos tira do armário.
Que na vida bem vivida, não há nada que não se consiga.
Crescente o sentimento que o assola, mesmo não sendo ele mais uma criança sentada no banco da escola, ou o pedinte que à porta do café pede esmola, no entanto todas as curvas de vida lhe conferem uma doçura perdida, que agora deixa brotar.
É vida que vive e emoção que lhe passa bonita aos olhos.
Pisca-lhe um deles e com o outro segura o vestido que eles alcançam.
Vai de sabrinas pequeninas, iguais ao número que seus os pézinhos calçam.
Tens medo?
Eu tenho.
Posso contar-te um segredo?
Gosto do conceito segredo, mas não pelo secretismo, antes pelo que envolve o dizer de um segredo.
Para mim um segredo é sentido e contado de leve ao ouvido, que chega a arrepiar.
Sim, é um momento privado de uma intimidade colegial, mas que reproduz, em tão simples gesto primordial, a natureza de uma ideia que se quer surda para os que estão à volta.
Lembras-te como soava? Lembras-te da voz que falava?
Agora não.
Agora reinventam-se as formas.
Reescrevem-se as páginas e pintam-se os rostos.
É com receio que trazes no bolso a palavra desgosto, que teimas em não embrulhar e deitar no "palavrão"(conceito por mim reformado e que pode ser assim utilizado como o contentor de todo o léxico estragado, ou impossível de ser reutilizado).
Mas com trejeitos de lembrança, mantendo por perto a pequena sensação de desconfiança que tem uma criança que sente estar a ser manipulada.
Sobrancelhas franzidas, palavras cuidadosamente escolhidas, não se quer por nada pôr álcool nas feridas.
Venham mais anos com fúria calorosa de viver.
Venham tantas mais coisas quanto a vida quiser oferecer.
Só pelo prazer de poder agradecer a quem tanto me ajudou a crescer.
O futuro?
Quando lá chegar, logo se vai ver.
Por agora dou e limito-me a viver e que bem que sabe sorrir sem o sorriso esconder.
Há sempre lâmpadas que se fundem mas que se voltam a acender.






16 de janeiro de 2012

Esquecer.. Como fazer? O Miguel ajuda!

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz?
Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar.
A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.
O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada.
Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste.
Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos.
Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se.
Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo.
Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma.
A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo.
É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção.
Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Diz tudo isto um grande navegador literário, um homem que escreve com a violência própria de quem sabe do que fala, Miguel Esteves Cardoso.
Miguel, permita-me desde já que o trate por tu, porque sem dúvida que vem facilitar todo o sistema de comunicação.
Ora dizia eu, Miguel, que este texto que humilde e tão descaradamente retirei de um qualquer lado de uma rede social, é na verdade, bastante verdadeiro, cru, sincero, e traduz na imediata sensação ocular uma felicidade enorme, na medida em que há um sentimento de pertença a uma dor, possibilita-me de facto abrir a janela da cave e ver para além dos pés dos outros.
Na verdade Miguel, o sofrimento desgosto e penoso de quem sofre e quer esquecer é tanto maior quanto maior é o AMOR que se guarda no peito.
E o que dizes tu quando alguém não quer esquecer?
Não quer deixar de amar!?
Não quer deixar de sentir saudades!?
Não quer aceitar que acabou!?
De facto tudo o que atrás referiste é pertinente e tão clichezado que se torna incontornável.
Dizem-nos sempre: "Ai homem, tens é que te divertir, tens é de sair e pensar que, às vezes, fecha-se uma porta e abre-se uma janela."
Mas isto não é tão simples quanto isto.
E te digo Miguel, que mesmo no final do teu pensar, há algo que me deixa a divagar, isto é, sugeres que "(...) se deixe correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel, o que fazer se o coração não se cansar de todo? O que deve o homem fazer para por o coração a fazer gelo, a ver se lhe passa o hematoma?
Haverá algum problema em ficarmos com alguém para sempre dentro de nós?
Consegues aclarar a imagética?
De facto há ensinamentos que advêm dessa experiência traumática.
Aprendemos sobretudo uma coisa, única e fundamental.
Somos quem somos.
Somos o que vivemos, o que amamos e o que sofremos.
E somos com toda a certeza bem mais, depois de passarmos pelo túnel de escuridão e penúria que passa quem é forçado a esquecer, ou quem tem esse desejo, ou quem simplesmente fica órfão de um sentimento desproporcional à proporção de homem que tem em si.
No masculino porque sou um deles.
E porque não sei como sofre uma mulher.
Sei como se ama uma mulher.
Sei como se recorda.
Sei como se sonha.
Sei como se nega toda a vontade de querer tudo o que sei.
Mas não sei se quero saber mais do que aquilo que sei e aprendi.
Talvez me reste apenas acatar o teu último dito, "esperar que o coração se canse".
Obrigado Miguel, de qualquer forma é sempre um prazer ler da fúria dos teus dedos!
É sempre um prazer saber o que pensas e pensar no que sabes.



26 de dezembro de 2011

Não sei se vou, mas sei que tenho

Há, na derivação caótica da realidade, um pedaço de terra que não tem mais de pouco tamanho, e que serve os interesses de quem nele assenta.
Na pior das hipóteses incomoda quem lá passa, mas não, é de uma pacatez e de uma segurança deliciosas, de uma simplicidade de processos apaixonante e acima de tudo muito bem localizada o que é sempre bom e dá jeito quando se quer fugir ao trânsito.
Há dias que mais parecem noites brancas.
Há dias que de dias começam por ter pouco ou quase nada, há dias loucos em que a boca já só quer ficar calada.
Há dias que rapidamente se transformam em lixo tóxico e corrosivo e que te esganam, que te sufocam e mordem os calcanhares.
Esses dias são, contudo, necessários, dias em que reflectes ao deitar, dias em que passas por tudo e nada passa por ti.
Dias em que chorar não é dizer Eu desisti.
Sobram sempre partes a esses dias.
Partes essas que mais não são do que os momentos em que bloqueias, em que paras e ali ficas, em que pensas e não acreditas, em que sentes e não evitas, em que choras mas não gritas, em que sofres e eu não quero que permitas.
Somos patins de roda desapertada.
Somos aquela bola velha e estragada.
Somos o que pensamos, o que vimos e o que dizemos, somos o que pagamos, o que comemos e o que bebemos, somos o que nos dizem que somos, o que pensamos que somos, e o que gostam que sejamos. Somos ou não somos?
Não sei se fomos.
Não sei.
E hoje voltei a não saber, e começa a ser demais, e começa a irritar-me, e chega.
E o frio que está?
E a janela que não sabe como se tapar?
E o cheiro que tem o morto a dançar?
E a dor que demora a passar?
E com ela? 
Não fui.
Não sei.
Não sei se fomos.
Foi natal. 
Foi a noites das noites sem sal, foi noite de alegria e pobreza, foi noite noite de sorte e tristeza, foi noite de conversa com frases contadas ao cêntimo.
E quem te olha e te vê e fala e pergunta, e sabe e pergunta e não sabe e pergunta, e não pergunta mas fala, e fala mas conta, e conta que fala que não sabe e... pergunta.
Não há o que não valha para tudo pensar, 
não importa a muralha que tenha de trepar, 
já não sei nem sabia a importância do ser,
já não é mais preciso acabei de perceber.

Suave a melodia tímida que ecoa nos teus olhos e canta alegre a canção que hoje viu.
É fácil dizer tanta coisa, é difícil dizer tudo, é um privilégio "começar numa ponta e acabar na outra", um privilégio com trágico destino, a confusão de sinceridade e verdade, com crueldade e maldade.
Na outra realidade, aquela do pedaço de terra pouco maior do que uma coisa pequena, é que somos quem de facto somos, e somos amados e adorados por tudo aquilo que fazemos, tudo, o visível e o invisível, o palpável e o abstracto, a palavra e a ausência dela, pelo sorriso e pela lágrima, pelo elogio e pela crítica.
Lá para esses lado, a condição é a seguinte, somos um todo assegurado e não um pedaço amarfanhado, parece difícil de imaginar, eu sei, parece verdadeiramente complicado de enquadrar a praticabilidade da ideia, mas com o tempo chega-se lá.
Debagarzinho, mas bai.
Agora, tudo isto depende de um coisa fundamental, vontade.
Sem vontade, não há projecto, sem projecto não há construção, sem tudo isto, não há rumo, e perder o rumo resulta numa situação potencialmente muito complicada.
Os brasileiros têm uma "máxima", que segundo costa diz o seguinte: "Cara, tudo se resolve!"
E no fundo, não deixa de ter um fundo de verdade, quanto mais não seja no plano da análise fria e objectiva, há um problema, que vai ser então resolvido.
Porém, há de tudo um pouco no que a problemas compete.
Ora com tudo isto quase me esquecia do importante.
Há anos inesquecíveis e anos de esquecer, mas há sobretudo anos que para recordar pouco ou nada têm, mas que são para nunca mais esquecer.
Estará lá sempre guardada a referência de que ano não queremos ver repetido, ou que se faça um remake, ou uma adaptação.
A saudade é o mais difícil de todos os sentimentos que conheço.
A saudade é tão mais difícil quanto mais dura, mais cortante, mais áspera, mais dolorosa, mais triste, mais...
A saudade só é fácil no seu estado mais puro, e de pouca duração, porque são saudades que têm um fim marcado.
Não há uma definição possível para saudade, porque cada um de nós as tem de forma distinta, complexo, com cheiros, com imagens, com sons, com palavras, com olhares, com gritos, com gestos, toques, sorrisos...
Saudade é saudade, é verdade e é reconhecimento, é amor e é sofrimento, é dor e alegria, é choro e medo, é ter do que não se tem e sentir falta de tê-lo também.
Tenho saudades de ter saudades que acabam daqui a não muito!
Gostava de ser mais como o outro da outra realidade.
Gostava de ter saudades das boas.
Gostava de gostar.
A saudade é o mais difícil de todos os sentimentos que conheço e também deve ser o mais difícil dos sentimentos que desconheço.
A saudade não é flor que se cheire, é flor que se sente!