17 de outubro de 2012

A fúria da direita

Lateja furiosa a carótida.
Tremelica imprudentemente a mão que ladeia a paixão, a minha é a direita, a mão que tudo aceita, a mão jamais desfeita, a mão com que escrevo e abro a porta de casa, a mão com que peço desculpa quando alguma desculpa me atrasa.
São impulsos danados estes.
Impulsos de raiva pouco aconselháveis, mas... surpreende-me a novidade da minha serenidade.
Surpreende-me a constância da calma e da ponderação.
Quando se estranha a motivação desconhecida e se troca a certeza perene da vida, por vezes passa-se ao lado do princípio (i)maculado e tantas vezes ignorado.
Agora é o olho a tremer...
Diz que dá 3 dias antes de morrer.
Não sei se sim, não sei se não, sei que nem sempre anda sereno o coração.
Porque continua a tremer a mão?
No Outono as folhas e tudo nos cai.
No Inverno é a alma que de casa não sai. 
Talvez com medo da gripe errónea que, qual messiânica previsão, antecipa a queda da torre de Babel, que dias tem em que parece ter sido feita de papel.
Rosno à lua triste não sabendo já, se ela sequer existe.
Escrevo porque quero, porque posso e porque sei, escrevo lembrando o dia, um dia, dia em que tanto dei.
Mas no imediato fica o retrato do que mais não se vê e mais não se sente.
Os dias são tristes, são mesmo, carregados de hediondas (in)verdades, incríveis incertezas sem prazo de validade e no centro de tudo isto, o homem, o cidadão, o contribuinte, a pessoa, o ser humano, desumanizado, que cresce com ego revoltado, amargurado, que vê em tudo o letreiro "complicado", que vê tudo a vender ou a ser arrendado, que vê tudo nos outros e nada tem comprado, que vê os rostos dos que comem à sua frente e se deitam ao seu lado. É a composição do decomposto inacabado.
E para lá, o outro lado?
O que estará por lá reservado afinal?
Haverá por lá casas com jardim ou quintal?
Haverá por lá o país a quem chamamos Portugal?
E as noites com estrelas de verdade, pontos de luz por cima da cidade, onde triunfam os sonhos de crianças e as vozes graves das correntes da esperança, cada qual dançando a sua dança. É ou não o melhor do mundo, ser criança e guardar sonhos nas estrelas dos céus que nos tocam na noite os cabelos, nos guardam os segredos e serenam os medos?
Se neste momento fosse educador de infância, a área em que me licenciei, na verdade, faria com eles uma "chuva de ideias" sobre A CRISE, para perceber, qual a percepção da sua captação e sei, porque quem sabe não esquece, que as respostas seriam surpreendentes, mas mais do que isso, seriam respostas inocentes, crentes e eloquentes, dos mestres do surrealismo que são as crianças e o seu anti-alarmismo!
São as medidas, as taxas, as subidas, os cortes, o défice, o PIB, o IVA, o IRS e o IRC, a culpa é do PS do CDS e do PSD, a discussão não tem porquê, nem a troika e os fundos, a crise da dívida, os mercados e parece que já vem lá o fim do mundo.
Parece que apita na estrada escura, se esgueira na noite fria e mais parece não ter melodia que se escute no seu silêncio soturno
Ainda hoje ouvia na minha mente, nas repetições de nível tão frequente, a música dos REM, "it's the end of the world as we know it" e na verdade pode bem ser isso mesmo.
E olho que não pára de tremer e a carótida e o seu teimoso pulsar, mas a mão, a mão essa escreverá enquanto o olho deixar.
Essa escreverá tanto, tanto, mas tanto quanto a outra conseguir aguentar!
É promessa, é destino, é talvez o que espero e desejo, o que penso e não vejo, não sei bem o que pensar.
É turvo o descansar.
É.
Pensar e não chegar.
E talvez acreditar que a sina vai mudar.
Já dizia a fadista que era triste a sorte que nos guia até à morte.
Pode a sorte ser tão malfadada assim?
Não pode.
O que tem princípio, tem meio e tem de ter um fim, mas no durante, há a continuação.
Dessa, não abdico, não abdico não.
Tá quieta, pára, não escrevas mais.
Desavergonhada e arruaceira, que escreves já sem eira nem beira, onde pensas tu chegar?
Bem longe, lá onde não podes controlar!




7 de outubro de 2012

Aqui

Perdido na imensa imensidão daquilo que vejo e na recambolesca percepção daquilo que vejo e não percebo.

Não porque não tente... O Tempo sabe bem as horas que lhe dou, o Tempo sabe bem os passeios mentais que faço dia após dia, em especial nos dias que antecedem as noites frias.
Sou de carne como todos nós, mas vejo coisas nas coisas e procuro nas coisas o valor que as faz serem na verdade alguma coisa!
Por vezes não sei mesmo o que dizer.
Por vezes sinto que não sou ajuda nenhuma, que não sou mais do que um curioso espectador do real que nos dá a mão nas noites de solidão.
Tantas vezes.
Vezes como as de hoje.
Em que olho sem saber como olhar, em que toco sem saber se devo tocar, em que penso sem saber bem no que devo pensar, ou onde é que o pensamento me vai levar.
Não me canso de o fazer.
A vida é feita disto mesmo.
No caminho a percorrer que é forçoso e compulsivo, que te impele a caminhar e não arrepiar caminho, mesmo quando o burburinho é mais forte do que a convicção, mas não mais forte que a razão, isso nunca!
Bloquear não é de todo uma opção.
O calcorrear da vida mundana obriga a missões tantas vezes maiores do que as próprias capacidades percepcionais para a real capacidade de tentar entender o que quer seja.
O chamamento é tantas vezes inaudível e imperceptível aos olhos, mas está lá, gritado em surdina, com a voz de menina num pranto que é seu por direito, porque a dor que se carrega no peito é tanto maior quanto maior a percepção do que se sente.
Há quem não aguente o sofrimento.
Há quem não se consiga segurar no tempo.
Há quem tente insistentemente perceber o que sente, na amargura dos sentimentos de gente.
Há quem não tente de todo.
Há quem viva no lodo.
Há quem não viva de todo.
Há quem não queira ser ninguém.
Há também quem queira simplesmente ouvir as palavras de alguém.
E que mal é que isso tem?
Estou aqui.
No agora que importa!
Que interessa se a vida vai torta?
Um abraço e isso passa... E o navio que parte e deita fora o esbaforido na fumaça densa e caprichosa que trepa atmosfera fora.
Quantas de ti?
Quantas horas te abraçam e por ti passam, sem que as olhes nos olhos, enxutos, inchados.
É tarde.
Vira-te para o outro lado.




 

27 de setembro de 2012

Carta(s) a si...

O Homem não dorme sobre assuntos coisíssima nenhuma, dorme e ponto final.
Sonha, ou não, de acordo com o porte atlético da alma que carrega às costas, como se de um piano desavindo de notas desvalidas se tratasse.
O mundo está doente, padece, às mãos do capitalismo feroz e do engano de um povo, que mais não faz do que gritar e vociferar palavras reaccionárias a que apelidam de ORDEM.
Ora, é do conhecimento comum, que é a falar que a "gente" se entende, pelo que não vos serve de nada gritar.
Aqui pertinho, a duas viagens de IDA ao Porto de distância, está Madrid, capital espanhola e cidade de enorme expressão mundial.
Se acontece algo informativamente relevante, o mundo saberá num repã...
Curioso como as manifestações comportam sempre realidades quase bipolares e bicéfalas.
E porquê?
Porque numa manifestação de grande escala, não é o motivo que importa, mas sim o número, a dimensão, a grandeza.
Não importa se a génese do protesto é contra a Austeridade, a Gravidade, a Impunidade, a Calamidade ou a Atrocidade que se comete contra quem se manifesta, o que importa na verdade é saber se teve mais ou menos gente do que a manifestação anterior, a guerra dos números entre as centrais sindicais ávidas de protagonismo organizativo e a Autoridade, que aponta sempre estimativas que visam descredibilizar os intentos dos profiláticos manifestantes.
Curioso é o facto de, para se poder ter de facto uma boa "imagem" e "leitura" da força dessa manifestação, temos de recorrer aos meios tecnológicos, que nos permitem, lá do alto dos céus, ou, como na tarde de ontem em Madrid, às câmaras de televisão afixadas em prédios mais altos que as coisas altas e que permitem alcançar, com os olhos no ecrã, o fim de uma avenida ou de uma praça, em Portugal, em Espanha, ou na de Espanha em Portugal.
Nunca fui de manifestações grupais.
Gosto de trabalhar em grupo, mas quando falo, grito, berro ou vocifero em tom de praguejo, gosto que me ouçam, atentamente e de preferência, caladinhos.
Não vou por certo para uma manifestação pôr-me a gritar: "ão, ão, ão o Governo é ladrão", até porque o Governo não me vai ouvir, mesmo que garanta que não é cego nem surdo.
Como terão sido as manifestações no tempo em que não existiam câmaras de televisão?
Como terão sido organizadas sem o assustador poder difusor do Facebook e Twitter?
Sem as sms e os emails?
Como?
E a pergunta "para queijo" é, como terão elas acabado, na sua grande maioria?

A situação está a agravar-se, está mesmo, basta olhar dentro, bem dentro dos olhos dos que passam e param, dos que fitam e não olham.
Faça-se o seguinte exercício:
Imagine-se uma cidade, uma cidade qualquer, com os prédios de que se gosta, com as lojas onde se sonha, com os carros que se quer e, mais importante do que isso, uma cidade com 5 milhões de pessoas.
Ora acontece que, nessa mesma cidade, as coisas não estão nada bem, e 1 milhão de pessoas resolve sair à rua, em fúria.
Não pode acabar bem, não pode mesmo.
Não há polícia para tanta gente, não há senão na Coreia do Norte ou na China.
Veja-se então a raiz do problema.
A "gente" está aflita, afoita, desesperada, incrédula, injustiçada, revoltada, afónica, cansada e mais grave ainda, é que são muitos, são mesmo muitos... 
O ser humano é capaz de tudo, há muito que se sabe isso, mas veja-se a capacidade mobilizadora do exército popular dos dias de hoje.
Não são precisas horas para convocar uma manifestação de dezenas, centenas de milhares de pessoas, numa praça escolhida sobre o livre e pragmático arbítrio da actualidade.
Em Madrid, quebrou-se uma lei, dezenas de milhares quebraram uma lei. Não podem realizar-se manifestações e/ou protestos de qualquer natureza, quando o parlamento está reunido em "sessão de trabalho".
Todos sabem. Mas todos os presentes pisaram, calcaram, com botas de Fuzileiro, a lei, a proibição, a norma.

Espanha está em ebulição, e como é grande a ponte que Portugal tem de atravessar para chegar... a França!
Por isso, bem podemos gritar... está visto.

Porque é que chegámos a... isto?
Como é que permitimos que se chegasse a isto?


Estivemos ocupados a olhar para onde?
Quem escolhemos nós para nos conduzir?
Diga-se o que se disser, são sempre eleitos por quem os contesta.
Dos braços arqueados que labutam na perfurada e putrefacta realidade, sai a conformada derrota nos dias, sai torto o texto, sai mais cedo o do lado, chega tarde o da frente, impune se sente, é o café e o cigarro, o telefone e o cigarro, o café e o telefone, o lanche e o telefone, o almoço que é longo, e a tarde não tanto, o cigarro a meio dela a conversa com o do canto, o telefone pois claro, e o rádio do carro e a gaveta que se fecha e o recado que deixa, amanhã é outra vez e trabalho o que fez??
Deixa lá depois vês.
São tantos os porquês e os sermões no vazio, são mais do que são, não sei se confio, não sei se sou eu, se são os outros ou não, não sei.
Já nem sei bem o que saber, sei que sei que não sei o que vai acontecer.
E gostava de saber, só assim um bocadinho, não muito.
Estou a construir, a tentar, dia após dia, mas vocês não ajudam.
(E aqui começa a carta)
Caríssimo Pedro.
Isto assim não dá.
(Sei que parece demasiado dramático ou até absurdo começar a carta logo a dizer que assim não dá, mas foi para o que me deu)
Tenho 30 anos e fui educado, ensinado e formado sobre os princípios vigentes da educação judaico-cristã.
Andei na catequese durante 11 anos, sim, chumbei no primeiro porque o meu pai tinha um problema de fuso-horário.
Já colecciono alguns sacramentos, não se pense, já lá vão quatro.
Depois fui educado no sentido de ajudar o próximo.
Dar sem esperar receber nada em troca.
De que se deres e trabalhares és recompensado pelo teu esforço, pela tua entrega e dedicação.
Na escola.
Se és bom aluno, os professores gostam de ti, se participas e respondes às perguntas, se vais ao quadro, se te voluntarias corajosamente para ler em voz alta um texto de Cesário, Pessoa, Gil Vicente, Lobo Antunes e tanta outra gente, se fazes os trabalhos de casa, se és Delegado de Turma, passamos por todo um processo de selecção, de teste, de segmentação e categorização individual e tribal.
Depois, escolhemos a licenciatura que queremos tirar, ou arranjamos o emprego que dá para arranjar, segmentamo-nos novamente, na área, mantemos os amigos de infância, alguns, e lá vamos nós por aí fora.
Arranjamos um emprego.
Passamos a adolescência a "cagar d'alto" para os problemas que os nossos adultos vivem e de repente, somos adultos nós mesmos.
Ouvimos e aprendemos o que é descontar para a reforma e de repente, lá se vai o sossego das reformas.
Vemos todos ao nosso redor preocupados, enervados, desconfiados, tristes, resignados, indignados, sem alento e desempregados, tantos.
E pedem-nos paciência.
Espírito de sacrifício.
Uma e outra e outra vez.
Mas depois as coisas sabem-se.
Sabem-se as vossas reformas, as vossas casas, carros, seguranças, posturas que geram desconfiança e para onde vai a esperança?
São dramas reais de pessoas iguais e de outras que tais.
Será isto uma crise de verdade?
Façam as coisas como devem ser feitas.
Façam sem que se levantem suspeitas.
Juntem-se para ver como há pessoas com vidas desfeitas.
Deitem-se tarde.
Acordem cedo.
Passeiem de carro na noite das cidades e vejam com os olhos da verdade o que se passa.
Um colega disse-me ontem, que em 1h30 apanhou 103 pessoas sem bilhete ou passe para viajar num determinado transporte público.
Foi uma pessoa, numa rua... multipliquem isto por... muitos!!!!
Isto não é um sinal de como as coisas estão mal em Portugal?
Ontem tive a oportunidade de ler uma, mais uma carta que lhe escreveram, desta feita foi um profissional que para mim tem na sua imagem e funções a supremacia comunicativa que advém de um saber incomensurável e que na ousadia de não ser mais um lhe escreveu a convidá-lo para um almoço.
O Rodrigo é mordaz, é tenaz, é pai, é defensivo e contra-atacante, é forte e intrigante, mas se há coisa que faz é dizer as coisas, é dar notícias, é sobretudo desconstruir para depois voltar a edificar de forma mais simples.
Não tenho a sua hábil e ardilosa capacidade de argumentar, mas lá chegarei.
Contudo, Pedro, tio Pedro, deixe-me que lhe diga, que o senhor está metido em maus lençóis.
Não são de linho, com certeza, devem ser aqueles lençóis suecos que se encastram nas camas, e que raramente se soltam do colchão, a não ser quando se rompem definitivamente, quando se rasgam.
Aquilo que o "shotôr" e os seus parceiros "shotores" estão a fazer aos portugueses é inacreditável.
O senhor tinha margem.
O senhor tinha o vazio deixado pelo primo Zé, que partiu para a França.
E dele não mais houve sinal, ou mais não se quis que sinal houvesse.
O senhor prometeu! Prometeu!
E depois... Para não variar, não cumpriu.
Sabe o que diz o povo português sobre os políticos?
Que prometem e nunca cumprem.
Sabe o que é não ter amigos poderosos?
Sabe o que é, não ter um único euro em nenhum dos bolsos?
O Rodrigo é simpático e convidou-o para almoçar e melhor ainda, faz questão de pagar.
Eu convidava-o para conversar, somente.
Podia ser no Outjazz da Estrela.
Ou pelas 23h00 no Bairro Alto, no miradouro da Graça, olhe, ao livre, porque a conversa seria para durar.
Gosta de tinto? Douro ou Alentejano? 
Bebe o que eu tiver para lhe oferecer, que eu também passo o tempo a viver de acordo com aquilo que o senhor julga entender. 
Gosto do seu nome, é a sua sorte.
Tem o nome do meu tio e mais do que isso, tem o nome do meu irmão. 
Pedro, lamento informá-lo, mas olhe que as pessoas não gostam de si, e gostavam.
As pessoas queriam dar-lhe beijocas lambusadas e agora não querem senão enchê-lo de bofetadas.
Imagine que tinha de passar os dias a enfardar arroz com feijão, carne dura até mais não, não ter nem para comprar mais pão, não lhe apeteceria esbofetear o "bicho papão" ou neste caso o "bicho Pedrão"?
Pois claro que apeteceria.
E a certa altura começou a espetar com os pés em cocós por todas as ruas onde andava.
Chamou-nos preguiçosos, PIEGAS, disse-nos para emigrar, para procurar-mos soluções, surripiou-nos metade do subsídio de Natal do ano que passou, surripiou-o em definitivo aos funcionários públicos, aumentou o IVA e agora veio com esta trapalhada da TSU.
Já ninguém acredita em si.
É que nem de propósito toda a gente se lembra constantemente da história que se ouvia na infância, daquele magala que passava o tempo a dizer que vinham lá os Lobos, como é que ele se chamava mesmo... ahhhhh.. PEDRO!!!!
Caramba que é azar.
Gosto sempre desta do azar, calha sempre bem neste nosso Portugal.
Bom.
O Pedro deve receber cartas constantemente.
Duvido que as leia a todas e duvido até que venha a ler esta, ou que sequer nos venhamos a encontrar para partilharmos debaixo da noite desta nossa Lisboa, um cálice de um Porto alegremente envelhecido.
Não lhe desejo um pingo de sorte! Desejo apenas que faça o seu trabalho! Se eu não fizer o meu, mandam-me para casa, sem reforma vitalícia, sem pensões, mandam-me sim para casa para lá ficar a coçar os... calções!
Já a vossa classe, se corre mal, vão administrar empresas onde vêem crescer as contas bancárias, depois já podem construir casas maiores, ter carros melhores, imagine-se se fosse assim com toda a demasia populacional.
Faço uma asneirada descomunal numa empresa de pneus, saio de lá e vou administrar uma empresa de cortadores de relva, porquê? Porque sou bom e tenho provas dadas na destruição!
De facto, o sistema político português é visionário.
E deixe que se por acaso alguma vez for despedido, farei como nos aconselhou, verei no desemprego uma oportunidade fiérica para mudar de vida e começar de novo!
Mas lembre-se disto Pedro, DEUS NÃO DORME, descansa e muito, é certo, mas não dorme!
Despeço-me sem palavras ternas ou meigas, sem cumprimentos e cordialidades.
Digo-lhe apenas isto!
Veja se faz por merecer cada voto de cada português incauto que o escolheu para ser "marioneta de fabrico alemão", porque a paciência da "gente" está a acabar.
"Zé, quem te avisa teu amigo é!"

Martim Mariano


E assim me dirigi ao tio Pedro.
Agora é esperar que ele responda.
Mas sem palavras, porque essas... Leva-as o vento, não é?
É maior o tormento da indiferença, do que a insurreição de quem não mais teme a parecença com países que não o nosso.
O rastilho anda solto e o mar mais do que revolto.
Melhores dias hão-de chegar, todos temos de fazer a nossa arte!