8 de maio de 2012

Quem avança não se cansa..

Diz que não.
Acordas e chove.
Tu, choves também.
Choves em gotas pesadas, tão pesadas quanto pesado o céu se torna no cimo dos teus pensamentos.
As palavras fogem-te, os olhos também, perdes-te a toda a hora, perdido já tu andas há muito meu rapaz.
Descobres ou tentas descobrir o porquê de cada novo acordar.
Olhas para o tecto e dele nada chove se não a imensidão do branco pérola e proeminência recta dos traços que desenham tudo o que é branco nesta casa.
Não vês vida na vida.
Não vês nada na estrada.
Não queres ver.
E depois vem o resto.
Depois vem a surpresa.
A dúvida.
O medo.
A estranheza.
A força.
A falta de apetite.
O sono que não chega.
A paixão que já lá vem e que... hummmm... sabe tão bem.
Pensas. Hesitas. Sorris. Acreditas. Não corres, não gritas. Falas e falas, em longas conversas, descobres o sol nas frestas da cortina, sorris a cada melhor bom dia.
Resume-se assim.
Mas pelo meio há tanto!
Pelo meio há a luta entre o querer, o dever, o poder, o ser, o ter, o sofrer, o merecer, o ver acontecer, o tempo a correr, o mundo a mexer, ser homem e ser mulher, para o que der e vier.
Há tristeza e sofrimento, mais a descrença no alento, a força do tormento, o olhar? Esse, jaz perdido no cimento.
A vida leva-nos por passeios enigmáticos, por caminhos errantes, histórias gritantes, amores sufocantes, desaires e derrotas, sonhos e pesadelos, sim, pesadelos!
Como é bom olhar de frente.
Não desisto.
Nunca o fiz.
Juro e jurarei que lutarei até à exaustão pela constância da paixão.
Sim, é esta uma confissão.
Sabes o que é sentir o que sente o coração?
Sabes o que é trazer à boca a certeza?
Pensar em ti traz uma leveza que se parece exactamente com a leveza com que se erguem dos galhos os pássaros, nas alvas e cristalinas alvoradas.
Emudece-se o mundo a meu pedido, pedido não, ordem! e só te ouço agora a ti, só a ti.
E que linda a tua voz que me afasta de todo o mundo atroz em que sozinho me perdi.
"Por mais que a vida nos agarre, assim...
Nos troque planos sem sequer pedir,
Sem perguntar, a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir,
Eu sei que ainda somos imortais,
Se nos olhamos tão fundo de frente,
Se o meu caminho for por onde vais, encher de luz os meus lugares ausentes.
É que eu... Quero-te tanto, não saberia não te ter,
É que eu quero-te tanto, é sempre mais do que eu te sei dizer,
É sempre mais do que eu te sei dizer 
Mil vezes mais do que eu te sei dizer."
Tantas vezes nos perdemos em pensares de tristeza e em buscas incessantes de algo que não se busca.
A felicidade não se pode procurar como se pistas numa investigação se tratasse.
A felicidade depende de tantas e tantas variáveis, e de tantas e tantas pessoas, coisas, momentos, pensamentos, palavras, as tuas, as minhas, as nossas.
Tu sabes que tudo isto é para ti.
Tudo sabes aquilo que eu já vi.
Tu sabes o que quero saber, percebes onde e como, ouves, escutas, falas, lutas, acordas e... voltas.
Avançar é perceber que de facto o estamos a fazer.
Quanto maior for a consciência e a segurança daquilo que sentes, mais visível se torna tudo aquilo que és.
Sei que brilho por estes dias.
Tu também.
Quem te vê sorrir, diz-me simplesmente, obrigado!
E isso, onde se procura tamanho achado?
Não se procura, é-se encontrado.
Olha como avançaste.
Vê o que alcançaste.
Tens noção daquilo que consegues?
Tens noção das vitórias que alcanças e das coisas que transformas em simples brincadeiras de crianças, pergunto-te eu.
Sorris e dizes Martim, sinto-me tão, mas tão bem assim.
Como eu gosto quando chamas por mim.
Não me cansarei nunca.
O momento é este mesmo.
Quem avança não se cansa, quem corre por gosto também não, aos outros sobrará sempre a pança redonda e o comando na outra mão.
As pessoas falam, em especial, quando projectam nos outros as frustrações assoberbadas das próprias existências atormentadas!
Estar contigo é sorrir, conversar, sentar e levantar, é erguer-me no teu olhar, saber e ouvir o teu pensar, sim, é sentir quando estás a chegar, encontrar-te sem sequer te procurar.
Quem avança não se cansa, porque é tão arriscar, da loucura nasce a força que amarra o homem à vida, da nossa nasce a certeza que a felicidade nos está a ser oferecida.
Precisas de segurança, de mimo, de estabilidade, franqueza, honestidade e clareza, de paixão arrebatada e da realidade agitada.
Precisas de "estou aqui, confia em mim", precisas da mão, do abraço, do respeito, de sentir tudo que sentes no peito, de correr para me abraçar.
Corre, sabes bem onde me encontrar, não tens sequer de procurar.
Estou, quero e vou continuar a estar.
Já reparaste que saíste do lugar?
Conheço-te há tanto tempo quanto o nosso tempo tem, sei que já te vi, mas não estava lá mais ninguém.
É tudo tão natural que se mistura com a vida, quando juntos, não se percebe bem termina o Quem ou onde começa o Quê.
Tenho repetido isto com algum afinco e não abdico de o tornar a fazer.
Acredito que somos directamente responsáveis por quem cativamos, por quem arrastamos para dentro do poço das nossas vidas.
Sou hoje responsável por ti.
Tenho essa clara consciência.
Tê-la faz de mim um homem maior.
Ter-te fará de mim, não sei bem o quê, mas sorrio quando a imaginação me traz à Alma o sossego colado a esse pensamento.
É de ti que o meu coração se alimenta.
É por ti que ele se aguenta! =)
E depois, quando acontece? Disso ninguém fala!
E a mim ninguém me cala.
Furiosa é a descoberta desta alienada sensação, estrondosa e incerta é a rama da paixão que me acerca de ti e me faz sonhar com sabor a morango.
Bom dia. Para ti e mais ninguém.
Um desejo?
Que a vida nos corra bem.
Uma certeza?
Vou ter de trocar o desejo, é um pouco obtuso e mostrará até uma certa ignorância buçal, pedir um desejo de uma coisa que se sabe que vai ser atingida em toda a sua plenitude, dimensão, magnitude e perfeição.
Uma prova?
Já ta dei.
Entreguei-te o meu coração.
 


29 de abril de 2012

A chuva já não lhe gela o rosto

Lisboa.
Duas da manhã.
Chove lá fora.
E Chove bem, em Abril, que é tempo de chuva, por isso, sem medos, chove para aí a ver se me ralo, tanto se me dá como se me deu.
E escusas de estar para aí a levantar a voz, não grites sequer que causas transtorno às pessoas,  que coisa, credo! 
Mantém-te aí na tua vidinha, que nós cá nos arranjamos.
Lá fora, o país despede-se agora de mais uma "época do 25 de Abril".
Digo-o assim, porque cada vez mais há uma "época do 25 de Abril".
Com o interesse mediático a ter cada vez menos interesse e a falta dele a ser combatida, no vasculhar da mais pequena possibilidade de quezília, com a agravante de que todo o país entra numa catarse profunda, cada vez mais melancólica, agravada pela débil e definhada democracia em que vivemos, Portugal lá vai deixando funesto o feriado, com que ainda conta e aproveita para fazer patuscadas, comida para o resto da semana, ou simplesmente para ver os senhores todos engravatadinhos e bonitinhos, com os cravinhos nas lapelas dos fatinhos, que bonito.
Enquanto isso, a Europa é novamente comandada pelos "mesmos" que destruíram, subjugaram e subverteram um continente, à conta do totalitarismo purificador de Adolf Hitler.
Muitos não sabem ou não se recordam disto, talvez porque não estejam informados, ou simplesmente porque isto em nada contribui para o melhor ou mais justo desenrolar e desenlaçar das suas vidas, mas foi a Alemanha, sim, a Alemanha, cujo exército não pode possuir armamento, que através de informações não confirmadas e não verificadas pelos seus serviços secretos, que convenceram os Estados Unidos, Inglaterra, França e Espanha, a famosa cimeira das Lajes, a invadirem o Iraque, que segundo os alemães, tinham armas de destruição maciça e estavam a deslocá-las, a construir reactores, bla, bla, bla.
Não está em aqui em causa a natureza robusta, dedicada, empenhada, esforçada, trabalhadora e cumpridora do povo alemão, está em causa, o mais importante, a Liberdade de um país perante outro, de um povo perante outro, de vários povos perante este outro.
E se o barco afundar, eles não querem saber de nós, não querem mesmo!
Ora, tudo isto, na "época do 25 de Abril"...
Por estes dias, o assunto, que a dia 28 ainda dá que falar, é a propalada ausência de Mário Soares e Manuel Alegre, das cerimónias comemorativas.
Eu não fui e disso ninguém fala, pois é, malhar no Manel e no Marocas é que é bom, que é gente que enfim... A mim ninguém me diz nada. Muito bem mandadinho este povo.
E estava de folga nesse dia.
Vai buscar.
E agora?
Pois, uns são filhos outros enteados.
É o que dá a mania das mordomices.
Mas a mim a chuva já não me gela o rosto.
E a ti, gela cada vez menos.
E há liberdade na chuva que cai lá fora.
Há liberdade no olhar mais de perto, nos olhos que me olham, nos olhos que se molham e nas pestanas que falam, sussurram, comentam e dançam em coreografias tão rápidas quanto fantasticamente sedutoras.
Deus deu aos homens a sensibilidade na ponta dos dedos, e não o fez por menos, não o fez sem dúvida para que estes se ajavardassem e fizessem das mãos, rudimentares instrumentos de trabalho ou inúteis membros pendurados em corpos de anormais que não sabem o que fazer com elas.
Deus deu-nos a sensibilidade na ponta dos dedos, porque há experiências que as mãos devem ter, há sensações que estas têm de experimentar.
Como é bom estender a mão ao teu olhar.
Como é surreal perceber que o teu rosto se quer deixar aquecer.
Haverá nobreza maior do que a reverência com que as minhas mãos se encolhem, quando do teu rosto se dignam a aproximar?
Haverá liberdade maior do que a escolha do passo que se segue?
Há na chuva uma purificadora simbologia, que remete as almas para o diluir do que as tormentas da secura lhe trazem.
É como se na chuva se afogassem mágoas e tormentas e com os primeiros raios de sol que se lhe seguem, viesse a tão desejada bonança, já o diz o provérbio que é esta que se segue à tempestade, na vida, será a mesma simplicidade?
Os olhos meu Deus, que se rasgam e sorriem, que abraçam, que renovam, que se encantam e falam como quem chama por...
Tenho-me deparado tão simplesmente com algo que a minha avó me costumava dizer em pequenino...
"Filho, Deus tira com uma mão e logo a seguir dá com outra."
 E na verdade... Sei lá já o que é verdade ou mentira.
Cansei-me de não saber já mais o que é o quê.
Fiz o que fazem os homens.
Fui.
Andei, andei, e por fim, feliz, encontrei!
Encontrei-te sentada no teu jardim. 
Só lá estavas tu... e eu... e à volta não vejo mais ninguém, não vi e não vejo.
Perguntei-me se alguém saberia que estavas aqui!? 
Com certeza que se se soubesse isto não seria um jardim mas sim uma manifestação.
Mas depois, com o passar dos passares, com o cantar das noites e o correr dos dias, percebi.
Não está mais ninguém, nem tão pouco vai estar, porque o lugar onde estou é sem dúvida o lugar onde quero e vou ficar e ai de quem me tentar daqui tirar.
Quando te falo e me escutas, as horas param, os sons também.
Não sei bem quem se cala primeiro.
Se a flor se o jardineiro.
Não sei e vou continuar sem saber.
Há liberdade no pensar e liberdade no sentir.
Há sem dúvida o ser livre para escolher quando e como partir.
Eu escolho ficar.
Ainda agora aqui cheguei e... P'Amor de Deus.. ainda nem sequer comecei!
A chuva não gela o rosto, mas molha-me a cara, ainda assim consigo ver, caminhamos num desalinho de gargalhadas leves e de mãos dadas, roupa encharcada, o rosto bem quente.
A chuva não nos gela mais, bem sei que não somos iguais, mas amar não sei bem o que é mais.
Chamo-lhe o que quiser.
Chamo-lhe aquilo que sinto.
E se de amor se fala, com que amor te cozes?
Falas do(s) que viveste e medes aquilo que sentes?
Errado!
Nada pode bater mais ao lado.
Vai pelo corpo não vás pela alma.
Vai pelo fogo que no fogo te acalma.
Segreda-me ao ouvido ou chega aqui que eu digo.
"Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes".
Avó, como é isso de Deus dar e voltar a tirar?
A minha professora diz que quem dá e volta a tirar ao inferno vai parar, isto porque eu tirei a borracha ao Pedro, depois de lha ter dado.
Que Deus não tenha sequer a coragem de o fazer, porque se pensar sequer nisso, bem que pode ir pregar para outra freguesia, que eu conto-Lhe das boas.
Em primeiro lugar deixo logo de me referir a Ele com esta coisa das maiúsculas.
E isso é só para começar.
É importante que os termos e condições fiquem logo definidos à partida, para a pessoa saber o que pode esperar.
A tua voz.
Era capaz de te ouvir por dias e noites e semanas e meses e anos sem fim.
Curiosa é a história da... e do...
Sim!
A chuva não pára e a noite não cai só para mim.
O dia amanhece, quem sente não esquece que a vida se vive assim.
  
 

 

 

20 de abril de 2012

O QUE FOI?

E o que dizer da expressão, "Ele olha para mim como quem olha para um chupa-chupa."?
Pouco ou nada.
Ocorreu-me, sei lá. Acabei de a ouvir na televisão e pareceu-me tão estupidamente parva que pensei que podia perfeitamente ter sido proferida pela minha boca.
Mas o que foi, foi que... Bem.
Vive-se na certeza de que temos a certeza que tudo sabemos, que tudo conhecemos, que sabemos o que queremos, quem somos, o que somos, como somos. para onde vamos, com quem estamos.
No entanto, alturas há nesta "coisa" de viver, em que tudo se revira e revolta, se modifica e transforma, se constrói e destrói, se mata e se morre, se absolve e se julga, se odeia e se esquece, se apaixona e se ama, se nasce e renasce...
Somos a mais pura das matérias, a prova mais fiel em como o ser humano armazena, guarda, lembra e relembra, mas vive, renova, regenera, recupera, fortalece, cai, levanta-se, tropeça, segura-se, sobe e pendura-se, de pé novamente, ou sentado de frente, não dá para não tentar, não dá para não querer, não dá. Ponto.
E disto ninguém fala.
Como?
Como é que somos isto? 
Como é que somos capazes de fazer isto?
De ser isto.
Diz a Bíblia, que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
Pronto, está bem, há vários Deuses, aceito e também aceito que nem todos podem ser lindos... como eu... mas a vida continua. Sem medos que prá frente é que é Lisboa, 'na é?
Diz que sim.
Mas dizia eu que segundo professa a fé cristã, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, porquê?
Porque raio de coisa é que ele havia de se lembrar de fazer uma coisa dessas? Hum?
Ai, Eu sou Deus, então o que é que eu vou fazer hoje que já estou aqui um bocado de cansado de brincar com as nuvens e de mandar os dinossauros matarem-se uns aos outros, o que é que eu posso inventar para me entreter?
Ando aí com umas ideias...
E se Eu inventasse um Homem? Epá isso é que era, já ando a pensar nisso há algum tempo.
É assim um animal e tal, mas é diferente, anda só com 2 patas, ou seja, anda. E depois faz uma coisa fenomenal, fala, fala mesmo de verdade, usa a boca para falar e o cérebro para pensar, uma coisa notável. Mas já me disseram que tenho de escolher bem, porque este é o primeiro homem, e depois os outros todos vão descender deste, e não sei o quê e não quero saber, mas afinal quem é que é Deus aqui hã?
Por isso assim fez, criou o ser humano à Sua imagem e semelhança e... deu no que deu.
Deu em coisas muito boas e em coisas muito más, mas sobretudo, deu!
Hoje somos, humanos, somos muitos, somos humanos pra caraças, mas felizmente somos tão diferentes e atravessamos a terra em períodos e formas, e contextos, histórias, momentos tão distintos.
Tenho para mim que de há uns meses para cá se apoderou de mim uma espécie de honestidade absoluta que por vezes pode chegar a roçar a estupidez, no entanto, a vida tem-me levado a ser assim, a viver assim.
No entanto, nos últimos dias ando a ser assolado por uma questão que tem tanto de pertinente, como de pessoal e irrespondível, o que são verdadeiramente a lógica e a razão? Quem decide o que é lógico e o que é racional?
Quem lhes conferiu tamanho poder sobre a liberdade do próximo.
Disse Sarte que "Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite à minha liberdade pode ser estabelecido, com excepção da própria liberdade", e não é isso mesmo?
Porque diabo é que tenho que responder perante terceiros sobre realidades que somente a mim me dizem respeito? Quem trago eu dentro do peito? Trago quem quero e como quero, O que foi? Estou a incomodar sua excelência? Então vá bardamerda pá, vão todos bardamerda, que era só o que mais me faltava, queres ver? Estava bonito, estava.
Quem se acha no direito de convencionar o que é certo ou não fazer, de julgar, de opinar sem ser questionado, não sabe por certo o quão errado está, quão triste tem de ser a sua vida para dedicar tanta atenção ao que demais em seu redor, ou no redor do seu redor se passa, deixe-se estar, mais cedo ou mais tarde acabará por cair em desgraça, mas olhe, isso passa.
O homem é livre. O que foi agora?
Não posso dizer isto também?
Sim, somos assalariados, e fiéis pagadores de contas de gás, luz, água, telefone, internet, televisão por cabo, gasolina, afins e outros tantos pudins, mas somos livres, até.
Tirem-me a liberdade de pensamento e de expressão e tiram-me da boca o pão.
Diz Kant que:
"As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico". Com toda a certeza. Somos "obrigados" à obrigação moral, à mão que nos serve, sempre e na maioria dos contextos é um imperativo silencioso, que ao primeiro grito rompe os tímpanos.
A liberdade é grito, é fúria, é vida, é força, é maturidade, determinação, coragem, risco, muito risco, decisão, sobretudo poder de decisão, poder para decidir.
"(...) A Liberdade tem cheiro.
A liberdade tem o cheiro do cheiro que quero que tenha.
A liberdade tem sabor.
A liberdade sabe a tudo aquilo que quero que ela saiba, e mesmo ao que não quero também.
É morango, ananás, e que bem que ela faz, são abraços e beijos, vinhos tintos e queijos, sal e pimenta, a cebola, que é nojenta, e essa liberdade não se aguenta...
Sabe ao sabor do vento, ao refinar do pensamento, à tristeza do lamento, ao "chega que já não aguento".
Mas sabe também à frescura do mar, à ternura de um olhar, ao ingénuo arrepiar, sentes a minha mão a transpirar? É disto que estou a falar." in Que bem que cheiras tu Liberdade!"
É. Pois é. E é mesmo.
Na certeza de quem sou reside o que quero fazer, ou melhor, da certeza do que quero reside o que vou fazendo e reside ainda a natureza do que vou vivendo, ou me vou permitindo viver.
E o que chateia na verdade é que limitamos a liberdade uns aos outros. Constantemente... Deliberadamente e mais do que tudo, estupidamente
O homem gosta de controlar. É ponto assente, sistema vigente, para muitos é até indiferente, mas verdade seja dita que não deixa de ser indecente.
E queres, queres, tens vontade, exiges, demandas, pretendes, lutas, berras, gritas, pedes e por vezes consegues.
Tentas, alcanças, sorris e danças, não medes os palmos que sobram entre a franja e as tranças e por fim... em casa, na tua, só tua... descansas.
O Que foi?
Não sei bem, pelos meus pensamentos nem um vintém, nem tão pouco a moeda suja e gasta que a minha mãe nem sabe que tem.
Vou para onde quiser.
Ter com quem me quer.
E o que foi?
Não volta a ser, mesmo que muito se queira e continuando nos Xutos, vou viver a vida, à minha maneira!
E dirá tudo isto tão mais do que se quer dizer na verdade.
Será tudo isto mais importante do que a importância que dou às vidas dos outros, que deles faço eu pouco, quanto ao tanto que de mim deixo.
Escorre-me a baba pelo queixo, sou crescido e não me desleixo.
Mas sofro quando te vejo sofrer.
Dói-me a tua agonia, dói-me não ter magia para te abrilhantar de novo o dia.
O que foi?
Foi que sou um comum e atabalhoado, um desastrado mortal, de vida normal, cara banal e cabeça que bate mal.
Quanto a ti?
Pouco mais há a dizer.
És um anormal com uma vida que não corre assim tão mal...
De que te queixas meu animal?
De nada Senhor...
Se sou parecido com Deus, não me queixo nem a Si nem aos seus.
Antes caminho com os ateus que de Si falam mal, que a si o recusam, calado sigo o meu caminho, observo e falo baixinho, não vá cair-me um igual ao caminho, deixando-me a falar sozinho, à procura.
Não há nada sol de pouca dura, nem maleita que se cura com a fúria de viver.
É tudo um aprender, um sorrir e não perceber, falar e não dizer, e tudo é um todo que está a acontecer.
Se não é já foi, se não foi vai ser.
Não interessa perceber.
Interessa sim seguir e viver, umas vezes a andar outras vezes a correr.
E olhar para ti como se olha para um chupa-chupa?
Que me dizes tu?