13 de abril de 2012

Três rima com...


Hoje é um dia bom!
Chove é verdade, mas no entanto, parece que está um dia de sol radiante nesta primavera incerta e falsa. E na noite a lua irá estar cheia num céu limpo e imensamente negro.
Hoje entrei e saí mais cedo.
Por uma causa.
E escrevi a frase anterior da forma que escrevi propositadamente.
Ou seja, entrei mais cedo por uma causa e não por causa de uma coisa.
Esta noite é apresentado na FNAC do centro comercial Allegro de Alfragide, faço a publicidade também ela de forma propositada, o livro da minha querida amiga Ana Maltez.
Mas não é uma apresentação qualquer.
Primeiro, porque é nesse paraíso cultural de origem francesa, pois claro, que lhe trará uma notoriedade e uma visibilidade ainda maior, e de três nascerão outras três e serão seis e uma história de reis... =)
Na verdade, sei que virão mais e mais. Não o desejo para que ela se torne numa espécie "pequena" mártir, mas porque essencialmente penso no destino para o qual revertem as receitas da história que tão genial e humildemente quis contar ao mundo.
A Ana conta histórias dia após dia.
A Ana é tudo menos uma pessoa fria.
E hoje chega a um patamar incrível e que espero possa ser presenciado pelo maior número de pessoas possível.
Partilha-se no Facebook, mandam-se sms, mensagens via whatsapp, telefona-se, mandam-se mails, tudo serve, vale tudo para espalhar a boa nova. 
Venham todos, venham ver, mais do que a autora sorridente que apetecer "apertar" e abraçar, a pessoa, a mulher gigantesca por trás da menina da capa do livro e das palavras cruas e dilacerantes, carregadas de realidade e de humanismo.
Três rima e rimará sempre com Maltez e aos três, somar-se-ão três vezes três, vezes três, vezes três, é a conta que Deus fez, diga lá outra vez...!
E falta pouco, já lhe perguntei se está nervosa, sorriu e mandou um beijinho... sacana não desarma hein!?
Deve estar.
With great power comes great responsibility...
Ela sabe isso. E está nervosa, está a ficar. Lá respondeu... =)
É bom, é bom que esteja nervosa, é sinal que sabe o que tem pela frente. Mas, para ela, isto são chávenas de chá, são simples passeios pelo parque, nunca sozinha, nunca.
Tem sempre dezenas de olhos amigos para onde olhar, sorrisos meigos e sinceros, adorações sentidas e verdadeiras e isso dá-lhe segurança, a quem não daria...
Vamos embora.
Maquilha-te.
Bota a roupinha que escolheste, leva a clutch... aprendi esta hoje... E vamos embora que falta pouco.
Que orgulho Ana, que orgulho imenso.
Até já.
E de facto é e será até já.
És enorme querida.
Enorme.
Parabéns, por tudo!
Parabéns.
Esta palavra vai ser dita com alguma frequência inquietante esta noite, não vai?
Tranquilo, como ela diz!
Boa sorte! E como dizem na televisão do canal 3, "estamos juntos"!

12 de abril de 2012

Os mestres... do aqui... e agora

Na vida existem os homens e depois existem os outros.
Os outros são aqueles que com a simples nobreza do encadeamento de palavras, suportadas por majestosos sentimentos a elas amarradas, transformam a vida numa "coisa" completamente certa e sedutora. São eles que atribuem sentido ao sentir. 
E nesse campo, em português, quem melhor que Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, O Mestre, como era conhecido, o mestre da sensação, quem melhor do que ele para nos falar do que sentem as almas que pensam no que sentem, que lhes dão nomes, formas, abstractas, concretas, reais e com memórias de sangue e sono curto:
 
"Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."

Pensar, este foi o mesmo homem que um dia disse:

"(...)
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
 
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
 
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."

Aqui não se prova uma incongruência, provam-se estados de alma. 
Prova-se que o que hoje é certo amanhã não o será por certo.
A vida é assim mesmo. 
Um desencadear de movimentos, de acções e implicações, o que fazes reflecte-se em quem tens contigo, o que és influência o que te dão.
O mundo acaba por ser sempre antropocêntrico, queremos o que é melhor para nós, sim, pensamos no bem estar dos outros, não os queremos magoar, mas na última instância, no último reduto, é sempre sobre nós que recai a preferência, quando assim não é, vamos contrariados.
Mesmo quando estamos a fazer alguma coisa por alguém, estamos a fazer porque queremos, essa liberdade dorme connosco, come connosco à mesa, passeia-se contigo pelo chuveiro à velocidade dos teus furiosos pensamentos.
É impossível não pensar, não dizer, não encadear, não deixar fluir a torrente que corre pelo cérebro e cai como cascata na ponta da língua ou na ponta dos dedos.
Não pode. não tem, não deve suster a vida nos seus medos, nos seus segredos, nos tormentos impostos pelos tortuosos pensamentos.
Em certa medida, Caeiro tem razão quando diz que "pensar é estar doente dos olhos", em certa medida, é mesmo!
Porque a vida é na verdade uma coisa complicada.
Temos de ser gestores das mais diversas áreas, saúde, economia, finanças, política, trabalho, desporto e lazer, engenheiros, médicos, psicólogos, doentes, utentes, praticantes, ouvintes e falantes, criadores e criativos, expectantes e contemplativos, e viver assim uma vida não é fácil, até porque a margem de manobra para fugir ao obrigatório, ao que temos de ser e ao que esperam de nós, é praticamente impossível.
Já aqui falei tanta vez de coisas que chegam a ser estúpidas de tão básicas e ousadas de tão difíceis que são de alcançar, mas na verdade, talvez seja esta a grande premissa do meu discurso.
O Pensamento.
Divergente, convergente, lateral, inconsequente, furioso e indecente, sereno e condescendente, amante e inteligente, puro e paciente, frontal e permanente.
Não há poder maior que o do pensamento.
Não tento encontrar, porque só para o fazer já estou a pensar...
Bolas, imaginar a luta de Alberto Caeiro faz-me... pensar.
E outra vez.
O que queria ele provar?
Calço os seus sapatos, visto o fato de caqui, pego o caderno e a caneta e sigo rumo ao miradouro de Nossa Senhora do Monte, na Graça. 
Lisboa é mais bonita vista de cima e de lado, vista de frente, no rio, também tem o seu lado engraçado.
A dor é uma sonegadora do pensamento livre.
Ela amarra-te, prende-te, consome-te, uns dias mais, uns dias menos, uns dias de forma mais subtil, noutros não tem dó nem piedade, não descura na maldade, arrisca e parte para a estupidez, atinge-te uma e outra vez, no que estará ela a pensar?
É simplesmente dor. 
Quem pensa aqui és tu. Tu é que estás a castigar-te a ti própria na procura das causas do sofrimento, estás a sofrer ponto, porque hás-de querem que ele tenha o dobro do peso, aceita a dor e livra-te dela, quando o conseguires fazer, mas não a leves contigo no bolso, no casaco, nas calças, na mala ou na carteira.
Ela tem de poder chegar e voltar a partir, sem que a prendas, sem te perceberes que o estás a fazer.
Não me parece difícil de perceber.
Sim, claro que é bem mais fácil dizer do que fazer, mas também é mais fácil não dizer e não fazer NADA! Pensar que, "não consigo e não sou capaz" porque não quero e não sei como se faz.
A vida dá-te estaladões no focinho e tu procuras devolver com... carinho!
Aqui sim, nesta altura, recorda o objecto primordial da decisão que tomas, o antropocentrismo, e vive, mas vive por ti, lá está! 
Não penses em ninguém mais. Transforma os redutos finais, em princípios iniciais, em maturações de ideais, em aperfeiçoar de estratégias rumo a um futuro desconhecido, mas que se quer pintado em formas não caóticas, em cores que não as que choram ou fazem chorar, com músicas que fazem o coração arrancar, corpo que se arrepia e a temperatura que varia e de que falamos afinal? Da vida, tal e qual.
E agora? Fazer o quê?
Parece-me, que se perde tempo precioso, no caminho tortuoso da procura do sentido do que está para vir, da capacidade de o enfrentar, do perigo de voltar a escorregar, do medo de não conseguir enfrentar, encarar, levantar, abraçar, conversar, partilhar, vender, comprar, receber e entregar, ouvir e calar, perceber e questionar.
A vida é isso mesmo e mais do que isso.
A vida é lidar com ela enquanto ela corre.
A vida é jogo de cintura.
E às vezes o pensar é estar doente dos olhos! Tem de ser, é bom que às vezes possa ser assim.
Quando não vemos, sonhamos, imaginamos, e imaginar tem de ter sempre uma conotação positiva.
A imaginação é o mais prodigioso sentido que o homem recebeu na sua criação.
A imaginação tem apenas 2 cordéis, um que a liga ao pensamento e o outro que a funde com o coração, e que fantástica combinação.
Estás pronto?
Pergunto de outra forma. Preparado?
Sei que sim.
Agora vive!
Descobre.
O hoje é aqui e agora.
O amanhã?
Logo vês quando acordares e passeares por Ele fora.
Uma coisa é certa, por muito que queiras, nunca vais conseguir saber o que vai acontecer entre o acordar e o deitar. 
Lembra-te, é de pessoas que estamos aqui a falar. Consegues dizer que das pessoas sabes sempre o que esperar?

10 de abril de 2012

Paz

Paz - Do latim pace - ausência de guerra, serenidade, tranquilidade, sossego, repouso, silêncio, boa harmonia, conciliação, paciência.
A sensação de paz por si só remete-nos para uma sacralidade interior, que advém da relação judaico-cristã que recebemos e que nos "tolda" muitas vezes o pensar, quando na paz se pensa.
A Paz não é sagrada, é muito mais do que isso, respeitando, claro está, a grandeza da sensação.
Ter paz. Estar em paz. Deixa-me em paz. É possível ter alguma paz aqui dentro? Paz de espírito (lá está novamente o cristianismo). Paz d'alma. Paz interior. Fica em paz. Zás trás paz.
Todas. Diferentes e mundanas sensações, estados de alma, de consciência, formas de encarar a vida e o caminho que traçamos.
Neste momento aprecio sobremaneira o estar em paz.
É que é uma coisa absolutamente fiérica.
O sossego, a serenidade, a tranquilidade, a redução drástica da ansiedade quanto ao presente e ao futuro, o silêncio... O Silêncio. Companheiro de tantas horas e do dobro dos raciocínios lógicos e estapafúrdios, sensatos e descabidos, conclusivos e demasiados estúpidos para serem proferidos.
A paciência. 
Normalmente chega depois de cumprida a penitência e sobretudo, vem à boleia do tempo.
Aprendemos a ser... pacientes. A esperar pelo melhor momento, que é sempre o que está para vir.
A esperar pelo que te espera.
A aguardar sábia e pacientemente, desfrutando dos dias com o conhecimento de quem somos, do que queremos e para onde queremos ir.
Ás vezes é preciso sangrar e sarar, para que percebamos que ali não voltamos a cortar.
É de caminho que se trata quando da vida se fala.
É de certeza e confiança que se constrói a estabilidade e a paz.
A paz tem de querer e ser querida. Tem de ser sobretudo desejada, aceite e compreendida.
E de facto a leveza que o homem ganha é comparável ao andar de uma criança.
As crianças andam em paz, caminham graciosamente, correm como quem descobre o mundo a cada passo e queda.
E isto é-lhe "permitido" porque são seres desprovidos de maldade, de cálculo, de sofrimento, de compreensão desse sofrimento, de causa e consequência directamente provocável e infligível. 
Quando te sentes novamente bem, capaz, sereno, confiante, sério, tranquilo, solto, leve, caminhas verdadeiramente mais "depressa" e saltitas por vezes.
A felicidade advém de tudo isto. A felicidade do homem não pode passar por uma felicidade dependente de uma segunda pessoa. Temos de ser pessoas felizes para podermos fazer alguém feliz.
Temos, acima de tudo de saber quem somos.
O homem de hoje pouco ou nada sabe e a mulher é o exacto oposto do seu oposto.
Compete-se, luta-se, mata-se, lixa-se, engana-se, prende-se, controla-se, impõe-se, divide-se.
Não vivo aqui.
Não sou daqui. Estou cá para fazer algo mais, com toda a certeza presunçosa da minha afirmação.
Não posso vir a este mundo, mesmo tendo a perfeita noção da tremenda quantidade de sorte que tenho por fazer parte dos mais de 7 mil milhões de pessoas que VIVEM neste planeta, supostamente o único e eleito para conter vida inteligente, para ser apenas mais um...
Não foi para isso que aqui vim.
E não foi porque eu digo que não foi.
Olho para dentro dos meus olhos e vejo tanto e tanto mais, descubro que posso, sei que quero, confio que vou ser/ter, simplesmente porque sim. Porque vivo e ajudo a viver. Porque cresço e ajudo a crescer.
Porque na verdade há qualquer coisa de perfeito na loucura que só o louco percebe.
E deixem-me ser louco a cada dia, porque se for loucura a que vêm os meus olhos, então deixem-na estar, porque, por certo não está a estorvar ou a impedir a passagem, nem tão pouco estará a fazer confusão a alguém. É a minha loucura, é assim que vivo, que vejo, que olho, que cuido e protejo, porque nasci para o fazer assim. 
Cada um é para o que nasce e eu nasci para isto. Vá-se lá perceber, mas não vou com certeza contrariar os desígnios divinos.
Impõe-se discernimento, saúde mental, resistência, força, garra, empenho, o dobro dele, mais resistência, esperança, equilíbrio, jogo de cintura, viver.
Os tempos não são fáceis e não vão ser fáceis daqui para a frente mas a motivação tem de estar presente, o sonho tem de existir, no dia em que o Homem parar de girar, bem podem dizer aqueles senhores que trabalham no centro da Terra para deixarem de andar com o coiso à volta do ferro, que a Terra não precisa de girar mais e o relógio pode parar e as pessoas que façam como entenderem.
Sem sonhos onde vamos parar?
Não temos dinheiro.
Não temos trabalho.
Não temos... reforma.
Não temos subsidio de Natal... nem de férias.
Não temos quatro braços.
Vemos o país em pedaços, com cortes e Passos dados rumo ao não se sabe o quê, nem como, mas que é, será, supostamente, hipoteticamente, acreditando nestes senhores que são, de uma ordem suprema porque conseguem prever tudinho, algo bem melhor do que aquilo que agora temos.
A Europa cai aos pedaços, por entre guerras imperialistas disfarçadas numa (des)União a 27, onde manda 1, 2 querem mandar mais e os outros passam a vida a ver e a obedecer ao que estes senhores dizem, porque eles é que sabem e eles é que têm o dinheiro e isto e aquilo.
Ora, no meio de tudo isto, se não sonharmos a dormir, mas mais importante do que isso, se não sonharmos acordados, bem podemos deixar os braços pendurados, os cordões desapertados, os calções rasgados e o mundo ali ao lado abandonado.
Viver é sonhar.
É querer mais.
Melhor.
Mais forte.
Sempre.
Maior.
Mais completo e sobretudo, mais robusto, mais sério e mais real, adaptado, ao tempo, ao espaço ao passado resolvido e não trazido no regaço.
Quanto de um homem cabe numa mão?
Quanto do que sentes parece que te rebenta o coração?
Quantas vezes por dia ouves a mesma canção?
Em paz dizes tudo.
Em paz ouves e percebes, respeitas e esperas, falas e explicas, são conversas boas, mais ricas, compreendes melhor a ferida e a dor que transporta, percebes aos poucos como abres a porta.
Cansaço é não ter força para a chave rodar.
A tristeza não é percebida por todos os que o tentam fazer.
A tristeza só é compreendida por quem a aceita viver.
E viver a tristeza é um mundo que devemos conhecer, quanto mais não seja para que saibamos sempre que é o outro que temos de escolher.
Faz-te bem um pouco de sol.
Faz-te bem um pouco de noite.
A vida é a céu aberto e o asfalto mais não é que um negro deserto, amorfo, contínuo, perpétuo.
Vive, a perpetuação da tua vontade será sempre proporcional à tua pacífica liberdade.
Termino como se termina uma missa.
Ide em Paz e que o Senhor vos acompanhe.
P.S - Cuidado com isso do Senhor, que nos dias que correm, é preciso conhecer as pessoas.