10 de abril de 2012

Paz

Paz - Do latim pace - ausência de guerra, serenidade, tranquilidade, sossego, repouso, silêncio, boa harmonia, conciliação, paciência.
A sensação de paz por si só remete-nos para uma sacralidade interior, que advém da relação judaico-cristã que recebemos e que nos "tolda" muitas vezes o pensar, quando na paz se pensa.
A Paz não é sagrada, é muito mais do que isso, respeitando, claro está, a grandeza da sensação.
Ter paz. Estar em paz. Deixa-me em paz. É possível ter alguma paz aqui dentro? Paz de espírito (lá está novamente o cristianismo). Paz d'alma. Paz interior. Fica em paz. Zás trás paz.
Todas. Diferentes e mundanas sensações, estados de alma, de consciência, formas de encarar a vida e o caminho que traçamos.
Neste momento aprecio sobremaneira o estar em paz.
É que é uma coisa absolutamente fiérica.
O sossego, a serenidade, a tranquilidade, a redução drástica da ansiedade quanto ao presente e ao futuro, o silêncio... O Silêncio. Companheiro de tantas horas e do dobro dos raciocínios lógicos e estapafúrdios, sensatos e descabidos, conclusivos e demasiados estúpidos para serem proferidos.
A paciência. 
Normalmente chega depois de cumprida a penitência e sobretudo, vem à boleia do tempo.
Aprendemos a ser... pacientes. A esperar pelo melhor momento, que é sempre o que está para vir.
A esperar pelo que te espera.
A aguardar sábia e pacientemente, desfrutando dos dias com o conhecimento de quem somos, do que queremos e para onde queremos ir.
Ás vezes é preciso sangrar e sarar, para que percebamos que ali não voltamos a cortar.
É de caminho que se trata quando da vida se fala.
É de certeza e confiança que se constrói a estabilidade e a paz.
A paz tem de querer e ser querida. Tem de ser sobretudo desejada, aceite e compreendida.
E de facto a leveza que o homem ganha é comparável ao andar de uma criança.
As crianças andam em paz, caminham graciosamente, correm como quem descobre o mundo a cada passo e queda.
E isto é-lhe "permitido" porque são seres desprovidos de maldade, de cálculo, de sofrimento, de compreensão desse sofrimento, de causa e consequência directamente provocável e infligível. 
Quando te sentes novamente bem, capaz, sereno, confiante, sério, tranquilo, solto, leve, caminhas verdadeiramente mais "depressa" e saltitas por vezes.
A felicidade advém de tudo isto. A felicidade do homem não pode passar por uma felicidade dependente de uma segunda pessoa. Temos de ser pessoas felizes para podermos fazer alguém feliz.
Temos, acima de tudo de saber quem somos.
O homem de hoje pouco ou nada sabe e a mulher é o exacto oposto do seu oposto.
Compete-se, luta-se, mata-se, lixa-se, engana-se, prende-se, controla-se, impõe-se, divide-se.
Não vivo aqui.
Não sou daqui. Estou cá para fazer algo mais, com toda a certeza presunçosa da minha afirmação.
Não posso vir a este mundo, mesmo tendo a perfeita noção da tremenda quantidade de sorte que tenho por fazer parte dos mais de 7 mil milhões de pessoas que VIVEM neste planeta, supostamente o único e eleito para conter vida inteligente, para ser apenas mais um...
Não foi para isso que aqui vim.
E não foi porque eu digo que não foi.
Olho para dentro dos meus olhos e vejo tanto e tanto mais, descubro que posso, sei que quero, confio que vou ser/ter, simplesmente porque sim. Porque vivo e ajudo a viver. Porque cresço e ajudo a crescer.
Porque na verdade há qualquer coisa de perfeito na loucura que só o louco percebe.
E deixem-me ser louco a cada dia, porque se for loucura a que vêm os meus olhos, então deixem-na estar, porque, por certo não está a estorvar ou a impedir a passagem, nem tão pouco estará a fazer confusão a alguém. É a minha loucura, é assim que vivo, que vejo, que olho, que cuido e protejo, porque nasci para o fazer assim. 
Cada um é para o que nasce e eu nasci para isto. Vá-se lá perceber, mas não vou com certeza contrariar os desígnios divinos.
Impõe-se discernimento, saúde mental, resistência, força, garra, empenho, o dobro dele, mais resistência, esperança, equilíbrio, jogo de cintura, viver.
Os tempos não são fáceis e não vão ser fáceis daqui para a frente mas a motivação tem de estar presente, o sonho tem de existir, no dia em que o Homem parar de girar, bem podem dizer aqueles senhores que trabalham no centro da Terra para deixarem de andar com o coiso à volta do ferro, que a Terra não precisa de girar mais e o relógio pode parar e as pessoas que façam como entenderem.
Sem sonhos onde vamos parar?
Não temos dinheiro.
Não temos trabalho.
Não temos... reforma.
Não temos subsidio de Natal... nem de férias.
Não temos quatro braços.
Vemos o país em pedaços, com cortes e Passos dados rumo ao não se sabe o quê, nem como, mas que é, será, supostamente, hipoteticamente, acreditando nestes senhores que são, de uma ordem suprema porque conseguem prever tudinho, algo bem melhor do que aquilo que agora temos.
A Europa cai aos pedaços, por entre guerras imperialistas disfarçadas numa (des)União a 27, onde manda 1, 2 querem mandar mais e os outros passam a vida a ver e a obedecer ao que estes senhores dizem, porque eles é que sabem e eles é que têm o dinheiro e isto e aquilo.
Ora, no meio de tudo isto, se não sonharmos a dormir, mas mais importante do que isso, se não sonharmos acordados, bem podemos deixar os braços pendurados, os cordões desapertados, os calções rasgados e o mundo ali ao lado abandonado.
Viver é sonhar.
É querer mais.
Melhor.
Mais forte.
Sempre.
Maior.
Mais completo e sobretudo, mais robusto, mais sério e mais real, adaptado, ao tempo, ao espaço ao passado resolvido e não trazido no regaço.
Quanto de um homem cabe numa mão?
Quanto do que sentes parece que te rebenta o coração?
Quantas vezes por dia ouves a mesma canção?
Em paz dizes tudo.
Em paz ouves e percebes, respeitas e esperas, falas e explicas, são conversas boas, mais ricas, compreendes melhor a ferida e a dor que transporta, percebes aos poucos como abres a porta.
Cansaço é não ter força para a chave rodar.
A tristeza não é percebida por todos os que o tentam fazer.
A tristeza só é compreendida por quem a aceita viver.
E viver a tristeza é um mundo que devemos conhecer, quanto mais não seja para que saibamos sempre que é o outro que temos de escolher.
Faz-te bem um pouco de sol.
Faz-te bem um pouco de noite.
A vida é a céu aberto e o asfalto mais não é que um negro deserto, amorfo, contínuo, perpétuo.
Vive, a perpetuação da tua vontade será sempre proporcional à tua pacífica liberdade.
Termino como se termina uma missa.
Ide em Paz e que o Senhor vos acompanhe.
P.S - Cuidado com isso do Senhor, que nos dias que correm, é preciso conhecer as pessoas.

9 de abril de 2012

Num ano, tu(do) muda(s)

Curiosa é a vida. E curiosa é a sua passagem por nós homens.
1 ano atrás, exactamente há 365 dias por esta hora, dormi na minha nova casa pela primeira vez.
Foi de facto um daqueles casos de paixão assoberbada, de encantamento imediato, que me conferiu a noção clara de que a minha vida iria mudar aqui dentro.
Nem eu, a casa e tão pouco a vida, sabíamos o que nos estava reservado, talvez a vida soubesse e não tenha querido dizer, é sempre melhor levar uma bofetada nas trombas ao invés de alguém te dizer, olha que levas uma bofetada nas trombas.
Tudo se precipita e se agita perante a possibilidade infinita de felicidade.
E quando a alma grita e clama por liberdade, que lhe fazes?
Corre!
Corre atrás do que é teu! Corre atrás da tua vida, não deixes que ela passe por ti a correr.
Num ano tu(do) muda(s), num ano tanto acontece.
Vamos então fazer contas:
Ora, se um ano, que se conta e mede (como se de altura e palavras estivéssemos a falar) em 365 dias, pode parecer uma eternidade, ao mesmo tempo, na diabólica realidade dos dias que atravessamos, onde trabalhamos em dias de loucos, em horários de maratonista e corremos pela vida fora, parando para perceber que temos um ano a mais quando recebemos todas as chamadas, mensagens, posts no facebook, que de facto acaba de passar mais um ano, e nesse ano, olha bem o quanto se passou.
Saí de casa, contente, alegre, feliz porque estava a dar um passo confiante e largo rumo ao meu futuro, à minha vida, entretanto tudo mudou. Qual olho do furacão, fui sacudido para lá e para cá, para cima e para baixo, de um e de outro lado, em vários lados, em vários sítios, caí, admito, caí redondo.
De facto senti-me como o Mini que é abalroado pelo camião cisterna com as suas 150 rodas e 300 milhões de quilos.
Mas... Nestas coisas há sempre um mas, porque a vida não é dia sim, dia não, a vida é aqui e agora.
Certo? É para ti é!
E ainda bem que apareces porque mais lá para a frente já tenho coisas para te dizer. Ou talvez deixe para mais logo.
=)
Mas deixa-te estar...
Sim, claro, quero!
Mas dizia eu que num ano tu(do) muda(s).
E mudas mesmo.
Em particular, se depois de saíres dos "cuidados intensivos", voltares para o "pós-operatório" e não seres esperado por nada mais a não ser paredes, armários, palavras surdas, copos, garrafas, sim, muitas e muitas garrafas cheias, depois... jazidas junto aos pés, não da cama, os meus.
Cais ao chão e por lá ficas, é bom que fiques, julgo eu, mas admiro os que não saltam da cadeira.
Eu fiquei, no chão, e mesmo quando me levantei, fiz questão de garantir que os meus olhos por lá ficavam. 
Sabe Deus o que eles não encontraram, durante o tempo que por lá andaram.
E aí pensas, pensas, pensas e repensas e às tantas já nem sabes o que hás-de pensar ao certo, é incerto o rumo que vais seguir, mas segues, tens de o fazer.
Tornas-te mais forte, sólido, cru, puro, aprimoras e lapidas arestas que te fizeram mal e te fizeram falhar. Por certo não queres passar pelo mesmo sítio de onde acabaste de vir, mas se tiver de acontecer será inevitável, assim como é inevitável concluir, que quando olhas para trás, ao fim de algum tempo, claramente que o tempo desempenha o principal papel na reconstrução.
Pintas as paredes novamente, compras mobília nova, tiras o gesso das pernas, arrumas o quarto, a casa, trocas e baldrocas, sorrisos e caras larocas, saias havaianas e pernocas e de repente, encontras o que não procuras!
E pareces aquele cão, aquele pequeno cão que levou tantas no focinho que agora antes de se chegar junto de alguém, avança e recua vezes e vezes sem conta, porque tem medo de apanhar mais, por fim lá vais a medo, rabo entre as pernas, inseguro, mas vais!!!! 
E mudas muito, depois de um desgosto brutal a mudança é-lhe equivalente, mesmo que não seja exteriormente visível, dentro dos olhos, da cabeça e da alma, tudo é novo e requer calma.
Mas ao mesmo tempo, tens tanta vontade, tanta saudade, tanta liberdade e sobretudo tens o mais importante, toda uma vida à frente.
Nunca tenhas pena de quem não tens, tem pena de quem não te tem a ti!
Entre portas e janelas, fechadas ou entreabertas, com frestas de luz matinais que te inundam os anormais amanheceres frescos.
Estás na Lapa, tudo é fresquinho, bonito, super querido e fofo, e sei lá...
A 'ssoa tem toda uma distinção, pe'favor.
E a imperatriz que não me larga o pulso, por Deus. Sim, é mesmo, não sai, nem tão pouco quer sair. Já viste isto? Amanhã vou lá outra vez...
E é isso.
Vives e descobres.
E é bom que o faças consciente do que estás a fazer.
Nunca me conheci como hoje me conheço, nunca me lembrei de mim como hoje me esqueço, mas sobretudo, não chegarei ao fim sem ter tentado, porque tenho a certeza que o caminho que sigo me levará ao melhor lado.
1 ano.
Tudo muda e tu mudas.
E falas e sorris e calas, respeitas e estás ali, é pois isso que esperam e te pedem, a ti!
Hoje, sou um... qualquer coisa orgulhoso.
Mais sereno e palavroso, menos estúpido e mais curioso.
Dizes que sou "furioso", sim, sou e serei sempre assim, e sabes porquê?
Sou o Martim!
E a sou eu que passo pela a vida e a marco e não ela a mim.
Hoje tive de dizer a um homem de 56 anos (acho que é, penso, não sei, nunca pensei bem nisso, nunca o coloquei nessa categoria) que, "gostar só não chega, descobri isso aos 28 anos... e agora que tem exactamente o dobro da minha idade, ainda não percebeu isso, lamentável" e que dia este...
Por isso, concluindo, se num dia te pode acontecer tanto, mas tanto, mas tanto, que na tentativa de proteger, quando acordas, nunca sabes o que vais ver, ou dizer, multiplica todas essas ínfimas possibilidades por 365, e tenta perceber o que te pode acontecer em 365 dias de novo viver.
É loucura o simples pensar em tentar perceber.
Deixa-te levar, deixa-te andar, devagar, mas deixa, permite, deixa que o mundo te arrebite e te mostre como a vida é tão fantasticamente maravilhosa quanto aquilo que os teus olhos quiserem ver!
Sei do que falo quando falo em Amor, sei ao que vou quando saio de casa... Casa! =)
Desde o seu primeiro dia que acho e tenho a confiança plena que 2012 vai ser o ano da mudança, o ano da viragem, talvez um dos anos mais importantes da minha vida. E da tua também.
Mas, este método do "vives o hoje" e amanhã viverás também, sem qualquer messianismo freak ou carpe diemesco, simplesmente viver o amanhã acordando para ele num outro novo bom dia!
Gosto mais de ti assim.
Gosto mais deste Martim.
A SéRiO.. Muito a SéRio!
A vida não é mistério, é jogo de cintura!
Para vivê-la não dispenses a seriedade nem valentes doses de loucura e descompostura, seriedade e aventura, descoberta e frescura, sobretudo sem sequer pensares em quanto tempo dura.
Vive p'amor de Deus.
Não há nada que o tempo não sare, mesmo que nem sempre cure!

2 de abril de 2012

A semana de Deus

Diz-se que Deus fez tudo em 7 dias, sim, até pode ser que sim, e depois?
Depois tornou-se numa espécie de mau funcionário público que só trabalha quando lhe apetece. Não. Errado.
Ao 8º dia, Deus fez as pessoas maravilhosas e inspiradoras que na vida se encontram.
Só pode ter sido Ele, em horas extra, em horas a mais nas pausas banais.
Acredito que somos directamente responsáveis por todos aqueles que cativamos, que somos nós, os mais directos e responsabilizáveis zeladores dos amores e desamores que açambarcamos para o nosso estômago. Tem de haver responsabilidade na puta da amizade! Cativas, prendes, respondes e tens de ser chamado a prestar depoimentos quando... assim é exigido!!
Às vezes e só por vezes, a mente cansa-se, troca-se, confunde-se, perde-se, desnorteia-se, baralha-se e "mete os pés pelas mãos" e consigo arrasta o corpo, trá-lo de volta ao chão, furtando-o cruelmente às obrigações da física.
Demoramos a perceber, somos mais lentos a compreender, rápidos a trocar a ordem dos factores e o pior é que, por estarmos letargicamente acordados, julgamos que estamos a pensar direito, que nada nos pesa no peito, que não há no horizonte nada que se apareça desfeito, nem sequer teria jeito, o feito de ter jeito para se ser algo mais do que a imensidão da luz cega em cada novo amanhecer, que mais não faz do que nos ajudar a perceber, que estamos acordados há tempo demais.
Que o tempo no cais, não faz o barco chegar mais depressa.
Que a fúria de viver, te pode, por vezes, mas só por vezes, fazer sofrer... e no entanto, quero lá disso eu saber!!!
Sei para onde vou e o que ando à procura, ou julgas que tudo isto é o quê? Sol de pouca dura? Dor que arde e não se cura?
Não.
Enganas-te ao desengano das noites solitárias...
Fazes-te acompanhar de sorrisos meigos e de aventuras nos dias, mais do que aqueles que antes vias, talvez até mais do que aqueles que se calhar querias.
Sentes o contentamento contente, sentes o alento na gente, sentes que tudo se passa num só de repente, mas nestas coisas, não há quem invente.
Não se vai porque se quer, vai-se porque SE TEM DE IR!!!!
Vais porque não te adiante de nada partir.
Porque a vida pode não ser aqui, mas agora é aqui que estás.
A vida pode não ser bem esta, mas agora é esta que vives.
Cala-te e come o que trouxeste de casa isto se queres ter força para levantar e bater as asas.
Não gostas de massa?
Sorri e dá-me um beijo...
Vais ver que passa.
Dou por mim com o estômago mais pequeno, embora esteja por dentro mais sereno.
Dou por mim sem saber para onde estou a caminhar, sabendo apenas que no fim de cada curva te espero encontrar, de olhos abertos, tapados pelos óculos que os protegem em meu lugar!
Mãozinha esticada, como estica a mão a criança que no alto do seu mundo apela aos "deuses" para a guiarem, ajudarem, acompanharem.
Na vida das pessoas boas, nada é vulgar, tudo é brilhante, ou pelo menos tudo brilha, tudo reluz e se traduz numa espécie de passeio, tantas vezes solitário, imiscuído num marasmo de pensamento secular e orientado para a magnânime construção de vida que faz e para o dia que se segue ao dia que se há-de seguir.
O que se pode fazer?
É possível resistir ao deslumbramento?
É possível retirar A IMAGEM do pensamento?
É possível seguir sem perder o alento?
Sim.
Segreda-se baixinho ao ouvido a beleza do que se sente.
E é assim tão sempre e tão verdadeiramente.
Haverá gente informada sobre o que realmente sente?!
Eu perco-me nos 7 dias que Deus levou para fazer tudo e mais alguma coisa... e no oitavo fez... a... pois!
No oitavo fez maravilhas!
Deus funciona a bateria ou a pilhas?
Agora que sei que o sei e que se errei, paguei.
Sinto que na verdade foi este o mais belo passo que dei, avancei, caí e do chão me levantei.
Algum dia alguém poderá dizer que vivi e não amei?
Enganam-se, quando o amor foi tudo o que mais entreguei às mãos destapadas das vidas abençoadas, por mim encontradas!
Ouço-te a chamar por mim, está na hora, vamos embora Martim!