16 de janeiro de 2012

Esquecer.. Como fazer? O Miguel ajuda!

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz?
Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar.
A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.
O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada.
Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste.
Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos.
Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se.
Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo.
Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma.
A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo.
É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção.
Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Diz tudo isto um grande navegador literário, um homem que escreve com a violência própria de quem sabe do que fala, Miguel Esteves Cardoso.
Miguel, permita-me desde já que o trate por tu, porque sem dúvida que vem facilitar todo o sistema de comunicação.
Ora dizia eu, Miguel, que este texto que humilde e tão descaradamente retirei de um qualquer lado de uma rede social, é na verdade, bastante verdadeiro, cru, sincero, e traduz na imediata sensação ocular uma felicidade enorme, na medida em que há um sentimento de pertença a uma dor, possibilita-me de facto abrir a janela da cave e ver para além dos pés dos outros.
Na verdade Miguel, o sofrimento desgosto e penoso de quem sofre e quer esquecer é tanto maior quanto maior é o AMOR que se guarda no peito.
E o que dizes tu quando alguém não quer esquecer?
Não quer deixar de amar!?
Não quer deixar de sentir saudades!?
Não quer aceitar que acabou!?
De facto tudo o que atrás referiste é pertinente e tão clichezado que se torna incontornável.
Dizem-nos sempre: "Ai homem, tens é que te divertir, tens é de sair e pensar que, às vezes, fecha-se uma porta e abre-se uma janela."
Mas isto não é tão simples quanto isto.
E te digo Miguel, que mesmo no final do teu pensar, há algo que me deixa a divagar, isto é, sugeres que "(...) se deixe correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel, o que fazer se o coração não se cansar de todo? O que deve o homem fazer para por o coração a fazer gelo, a ver se lhe passa o hematoma?
Haverá algum problema em ficarmos com alguém para sempre dentro de nós?
Consegues aclarar a imagética?
De facto há ensinamentos que advêm dessa experiência traumática.
Aprendemos sobretudo uma coisa, única e fundamental.
Somos quem somos.
Somos o que vivemos, o que amamos e o que sofremos.
E somos com toda a certeza bem mais, depois de passarmos pelo túnel de escuridão e penúria que passa quem é forçado a esquecer, ou quem tem esse desejo, ou quem simplesmente fica órfão de um sentimento desproporcional à proporção de homem que tem em si.
No masculino porque sou um deles.
E porque não sei como sofre uma mulher.
Sei como se ama uma mulher.
Sei como se recorda.
Sei como se sonha.
Sei como se nega toda a vontade de querer tudo o que sei.
Mas não sei se quero saber mais do que aquilo que sei e aprendi.
Talvez me reste apenas acatar o teu último dito, "esperar que o coração se canse".
Obrigado Miguel, de qualquer forma é sempre um prazer ler da fúria dos teus dedos!
É sempre um prazer saber o que pensas e pensar no que sabes.



SAUDADE, saudade... digo eu!

E foi mesmo assim como tinha de ser.
Agora? Recordo.
Recordo-me das manhãs, das tardes e do final dos dias.
Recordo-me do acordar, do deitar e das noites frias.
Recordo-me dos passeios.
Eu do lado de fora, junto à estrada, tu do lado de dentro junto ao que de mais próximo por lá houvesse. Porquê?
Porque é mesmo assim quando tem de ser.
Porque era a minha maneira simples de te proteger.
Se o carro viesse, acertava em mim primeiro, lembras-te?
Digo-te isto assim baixinho, falando com jeitinho, sabendo que não ouves já tão bem, que o som te soa distante e se torna mesmo incompreensível, aí, viras a cabeça para perto dos sons mais perto.
Não te censuro, é mais... perto e real, não é?
Gosto de te lembrar. Sabe bem no pensamento, traz aos olhos um sorriso de menino, ou um esgar de traquinice.
São as noites o meu capuz, nelas se protegem as saudades do que agora é disperso e distante, nelas se libertam as memórias de um passado fresco com cheiro de primavera.
As relações entre homens e mulheres são, certamente, um dos pontos mais altos da vida humana.
Dividir a vida com alguém, toda a vida, é algo de uma nobreza e coragem tremendas.
É TUDO, sempre, durante, ao longo de, e é assim que tem de ser.
Só assim se pode almejar o alcance difícil e complicado da felicidade plena, e mesmo esta, está dividida por camadas invisivelmente delimitadas, com fronteiras não especificadas e que são facilmente confundidas por estados de alma que têm tanto de sedutores como de enganadores.
É, no entanto, uma experiência e tanto, uma daquelas que certamente vamos querer contar aos netos, se um dias os chegarmos a ter.
O HOMEM É LEMBRANÇA!
É uma das mais belas palavras que a língua portuguesa um dia gerou.
Uma palavra que tem tanto de bela e poderosa, como tem também a capacidade de nos transportar para imagens que trazem ALEGRIA aos olhos e à boca, boca essa que sorri desavergonhadamente.
SAUDADE! SAUDADE, digo eu!
Soa tão bem ao ouvido, aos olhos, (isto considerando a enormidade de vezes que a palavra saudade é utilizada por vias não orais) à boca, a todos os músculos e sensores do corpo que são activados pela romanesca, positiva e explosiva sensação que afoga o cérebro em prazeres imagéticos e sensoriais, automaticamente retribuídos em doses industriais de Adrenalina!
Somos matéria, órgãos, sensores, conexões, ligações, sinapses nervosas, lembranças, sonhos, desejos, instintos, alegrias, tristezas, ilusões, fantasias, desilusões, sofrimento, regeneração e reinvenção.
Somos tudo o que dizemos, o que fazemos, o que comemos, o que amamos e detestamos, o que acertamos e erramos, o que perdemos e o que ganhamos.
Quem sou eu hoje afinal?
Onde me deixei que agora de repente não estou a ver?!
Onde me posso eu ter separado de mim?!
Se usasses a cabeça para te situares e não para escrever parvoíces...
E tu?
Quando é que deixaste de me ver?
Onde me deixaste tu também?
"Parto rumo à primavera..." (Obrigado Manuel Cruz, ex-Ornatos Violeta) e caminho em direcção a sei lá o quê, na mesma rua do... "lá para a frente. Olha o que tiver de ser, será, e o que é teu às tuas mãos virá para...".
E é assim que se vai.
Dormias sempre pertinho e com frio, tapada até aos cabelinhos que aos meus olhos brilhavam no breu da noite.
Sabes do que sinto falta? De te fazer sorrir só de olhar... para ti!
Agora, recordo!
Recordar é sorrir e é também, perdoem-me a ousadia, sinal de consciência tranquila.
Mais não sei, e mais não sabia.
O conhecimento vem depois, vem sempre depois.
E tudo isto se passa à noite, debaixo do capuz que protege a saudade.
Tudo se passa de noite, depois do postulado de libertinagem que a mente me concede, uma espécie de biscoito com que se treinam e premeiam os canídeos.
A noite é sempre bela e hoje também serena.
Porque não há-de ter interesse a versão do viajante do caminho longo e sinuoso da mágoa e da derrota, do desalento e da incredulidade, tempo durante o qual o tempo parece pesar tanto quanto a ponte que une as duas margens da cidade, carregada com as vidas de todos os que a atravessam.
Porque não?
É um tempo triste, tão triste quanto a dimensão do que se perde na estrada de um tempo que não capta o que deve, no tempo em que devia, fica perdido e não sabe como regressar, não sabe o caminho de volta mas percebe o tempo a esgotar.
Está perdido e não avança, saltita, qual folha que da árvore que se solta e acaba a brincadeira no chão.
Da vida pouco se sabe até se viver.
Ouves aqui e ali e só as lembras (lá está, sempre a memória) quando as compreendes na totalidade, geralmente num pós qualquer merda, que também não interessa.
A vida de quem nos rodeia não ajuda mesmo quando tenta.
O que é teu para ti está guardado, podes preparar os ouvidos, mas nem mesmo esses te vão servir se os teus olhos não quiserem ver.
Por isso, recordo.
Agora recordo, e aos olhos, faço o que me apetecer!




15 de janeiro de 2012

"Para ti, Campeão!"... De ti, Campeã!

A Ana Maltez é sem dúvida uma das pessoas mais bravas, queridas, fortes, duras, doces que conheci na minha passagem por esta deambulação que conta já com 28 anos de peripécias.
Como já tive a oportunidade de lhe dizer, a Ana é sem dúvida um ser humano muito, mas muito bonito!
Ser hoje seu amigo, seu colega de trabalho e parceiro noutros projectos de secretismo pouco maçónico, é uma possibilidade quase diária de poder testemunhar todos os adjectivos que humildemente lhe atribuí.
Observar a tenacidade de uma mulher é por si só um espectáculo digno de se assistir, sentado, em pé, seja lá como for e sem pipocas.
Creio que não devem existir muitos animais com o espírito de sacrifício e capacidade de resiliência de uma mulher, e sobretudo não existem por certo mais Anas Maltez, isso posso por minha inteira responsabilidade assegurar.
O livro que escreveu demonstra que o ser humano é capaz de coisas absolutamente indescritíveis, inqualificáveis de tão belas que são e incomparáveis em grandeza.
Será sem dúvida alguém que, seja qual for o caminho que a vida me reserve, a estrada por onde conduzirei o meu pequeno carro, de pessoa pouco abastada mas com sonhos de verdade, haverá sempre espaço e tempo para recordar alguém tão grande assim.
Nunca é de mais dizer Ana, que és do tamanho do que vês e nunca do tamanho da tua... altura!
Que exemplo de amor, de vida, de amor à vida, de amor a alguém, de amor a si própria, de amor à memória.
Para ti, Campeão! é uma obra de uma força notável, e ainda nem passei as 3 primeiras páginas.
És uma força, uma inspiração, com olhos de quem tem na alma um propósito e um claro ímpeto de amar a existência.
Obrigado.