20 de novembro de 2011

O que sou ou fui afinal?

Por certo sei que fui alguém.
Por certo sei que sou mais do que ninguém.
Com toda a certeza me refiro a mim mesmo como um prolongamento do que penso, do que faço e de tudo aquilo em que acredito, ou em que me meto.
Fernando Pessoa disse certo dia que, "Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que eu gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível", ora é pura esta ideia completa, é mágica a mente do poeta, e alguma coisa dita faz sentido numa vida meio perdida?
Tantas vezes se busca o irreal nexo das palavras, contrapondo-as ao surreal sentido da verdade dos actos, na tentativa louca de perceber qual o resultado da soma de uns com os outros, divido as emoções e subtraindo as experiências, as horas de vida, os momentos inesquecíveis, as noites não dormidas, os sorrisos de cumplicidade atirados ao vento que nos banha a cara.
Não tenho de facto a pretensão de querer que todas as pessoas de quem gosto, gostem de mim da mesma forma, até porque ninguém gosta exactamente da mesma forma, há sempre uma parte que é superior num todo, há sempre uma fatia maior em duas retiradas de um bolo.
Tenho sim, o desejo interior de que ao menos gostem de mim, não porque gosto, não porque peço, não porque demonstro, mas sim porque faço, aconteço, sou, estou, vou, e mostro sempre, tudo!
De facto, coloco acima de todo os patamares possíveis a vontade de ser ou de ter sido, em determinado(s) momento(s), inesquecível, único, incomparável, inigualável.
Posso ser presunçoso, ganancioso, egoísta, ou tudo o que nesse campo me quiserem chamar, mas tenho a certeza que fui, que sou e que hei-de voltar a ser tudo isto, porque de facto, não sou mais um, sou alguém, não mais do que ninguém, nem parente de quem tem a vontade de ser alguém.
Eu sei que sou, que fui e que certamente voltarei a ser.
Todos os momentos em que o fui, sinto-os como únicos, como primordiais, como momentos irrepetíveis, e é isso que têm de ser, que vão ser, porque não deixarei que sejam menos do que isso, mas permitirei que sejam sempre mais e mais qualquer coisa, que cresçam à dimensão construtiva e sonhada de tudo aquilo que foram momentos de sonho, e é o sonho que comanda a vida, não é mesmo?
Como tal, é de sonhos que se alimenta a alma, mesmo em dias de uma aparente calma, comanda pela tenaz madrugada limpa, que ao céu oferece a lua envergonhada, e deixa cair a humidade a espaços, o amor em abraços e o gostar em olhares puros e cristalinos.
Obrigado senhor Pessoa, porque...por...
Por tudo.
Obrigado.
Nada do que parece é na verdade uma parecença da real realidade crua.
Nada do que se assemelha ao que na verdade existe, se torna mais do que aquilo em que pensas sentado na tua rua.
Pensa bem, e torna-te insubstituível.

19 de novembro de 2011

O que é na verdade!?

Contentamento descontente? Fogo que arde e não se sente? Seres alma e sangue e vida em mim, e dizê-lo cantando a toda a gente?
Quantas e quantas vezes me perco nas deambulações cáusticas da palavra, nas expressões desencontradas da racionalização do sentimento, ou nas intemporais buscas de razões ou vocábulos, que melhor definam o que é tantas vezes inexplicável, se não quase sempre, impossível de verbalizar.
Os caminhos são estradas sinuosas, cobertas de tudo o que são elementos de tempo e espaço.
As manhãs de nevoeiro, as tardes solarengas, as madrugadas quentes de borralho, as noites intermináveis de chuva forte e desmedida, que nos acerca e ensopa, e nos faz perceber que igualmente ensopada e cercada é tantas vezes, a própria vida.
Mas há caminho, há toda uma via rápida de incerteza que não deixa de ser igualmente sensitiva e deslumbrante.
Crescer é de facto uma maravilha aos pés de quem, descalço, se atreve a sair à rua.
Tão sabiamente alguém um dia escreveu, que dar de beber à dor é o melhor, e tem noites que sim, tem tarde que nem tanto, e manhãs em que é um pouco de qualquer coisa do género.
Aproximo-me das 04h00, sem saber para onde caminho, sei que vagueio aqui sentado, mais sereno, ligeiramente encostado, em pose altiva de conselheiro revivalista do passado a que me apego.
Dele não vivo, mas dele me sirvo, a ele sim dou eu de beber.
É nele que vive a réstia de amargura, que não teima mas perdura, sem saber onde se esconder.
Não te vejo, mas pressinto-te, sem o vinho eu não me minto, que de fugas se faz o sobrevivente.
Querer ser inteligente, passar ao lado, seguir em frente, mudar o ar, ser diferente, é pedir demais a quem não segue as estradas principais.
Na poesia sonora das ruas por onde passo, encontro de tudo um pouco, e em tudo, absolutamente nada.
No nada descubro porquês, descubro ainda mais, descubro-me a mim.
E é de mim que preciso.
A ti vejo-te tanto, como tão pouco sinto que o faço, sei bem o que te chamo, chamam-lhe amor ou chamem-me louco, por mim é apenas mais uma frase num pedaço.
Estranhamente desligamos uma parte do cérebro que nos permite manter o fiel, sempre necessário e de preferência conveniente raciocínio, quando nos apaixonamos, ou quando simplesmente assim estamos.
Não raramente sofre, não frequentemente sente, que é aquilo que mostra a toda gente, a alegria permanente, de quem sente o que mais ninguém desmente.
Viver é aprender, amar, errar e sofrer, é perceber, que no entanto, não há nada que não se tente, se é isso que deveras se sente.
Vida, mostra lá que não és pequena, que não enganas quem te ama, nem te mostras tão serena, que acalmas quem te chama, e que de facto vales a pena.

14 de novembro de 2011

Se, se, e se?!

Tantas vezes navegamos na hipótese, tantas passeamos nas conjecturas e nas ideologias e nas possibilidades, mas nunca paramos para pensar que de facto de nada nos serve.
Somos, reconhecidamente, um povo de ses, de, e se, de, ai se, e de quem me dera...
E isso faz-nos simultaneamente ser um povo de sonhos, e um povo que não os persegue...
Dentro do fatalismo crónico que nos pinta a alma, conseguimos sorrir cada vez menos, conseguimos querer cada vez mais, mas também conseguimos ser cada vez mais... burros!
Vivemos com o que não temos, e queremos sempre o que têm os outros, caminhamos sobre brasas, mas não lhes deitamos água, ao invés disso, tiramos os sapatos, e andamos mais devagar.
Qual o melhor conselho para darmos a nós próprios?
Já nem sei.
Vivemos numa terra com problemas de visão, de audição, de olfacto, de tacto... de tudo e mais alguma coisa.
Mas temos sol, cerveja, tremoços, camarões de espinho, vinho do bom, futebol, Fátima, Algarve, Madeira, Açores e tanto mais.
Ora o que fazer perante uma balança tão desequilibrada, que deixa a alma prostrada, a vida amaldiçoada, a cabeça mais pesada, a vista cansada, a sola dos pés queimada, a gasolina refinada, a chávena escaldada, a canção desencantada, e a guarda rebaixada?
Nada?
Nada... disso.
Fecha os punhos, cerra os dentes, levanta os olhos, olha em frente, vê mais longe, vê mais alto, sonha muito mas a prazo, conta trocos, lembra-te, nada vem por acaso.
Deus é meu, é teu, é nosso, mas não lhe peças mais do que ele por ti pode fazer, o Senhor só tem dois braços, e também tem de descansar, como podes tu pensar que ele só a ti tem de ajudar.
Tem calma, respira, visualiza, não desarmes, não desistas, acredita, mas trabalha meu malandro, trabalha, que só assim podes ser alguém.
É o trabalho que distingue o homem da besta.
E para besta já basto eu, que venho para aqui com a mania que consigo ordenar da forma certa, as palavras que me vêm à cabeça, mas até isso dá trabalho.
Ou seja, até para ser besta se é preciso trabalhar, e muito, porque senão confundir-te-ás com uma besta qualquer, e isso nunca.
Sou uma besta qualificada para tal, não façamos cá confusões.
Se queres ser besta, trabalha!