Longe vão os tempos da inocência infantil, que faziam de nós, mais que simples Eus, seres capazes de sermos surpeendidos constantemente, pelas mais hilariantes e recambolescas histórias que nos eram contadas.
A Infância marca o período mais belo que o ser humano vive, no que diz respeito a tudo o que lhe passa pelos olhos.
Os olhos de uma criança visualizam coisas que nenhum outro ser humano tem a capacidade de conseguir ver.
Reside nesse olhar a capacidade fantástica da surpresa, a magnificiente falta de controle e de noção da realidade, que permite ao seu pequenino e inocente cérebro, descodificar mensagens que à partida podem vir carregadas de maldade, mas que perante os seus olhos, são apenas mais um bloco de imagens, que provocam sorrisos de espanto, de admiração, de fantasia, de sonho, de encanto, de felicidade e novidade, pois, o mundo que vêem, é exactamente aqule que lhes permite criar na mente as primeiras concepções de mundo, na verdadeira natureza dessa palavra.
Contudo, quando me atrevo a falar na natureza da palavra Mundo, acanho-me por constatar que de facto julgamos ter o domínio da sabedoria e da sapiência, e que podemos qualificar verbalmente tudo aquilo sob o qual colocamos o nosso olhar, mas no entanto, não somos mais que pequenas crianças, porque as imagens que já vimos e com as quais moldamos o nosso conhecimento, não deixam de ser obrigatoriamente, imagens que provocam sensações de forma tão básica e primária, quanto a que as crianças usam automaticamente, sendo que a diferença principal residirá, na capacidade que NÓS, pelo menos alguns de nós, temos de interpretar essas imagens, de as arrumar em gavetas semelhantes, onde já temos imagens parecidas, da mesma família.
Temos e DEVEMOS, acima de tudo, de ser crianças, de voltar a ser crianças, de recuperar essa vivacidade perdida, essa alegria contagiante, que faz os adultos sorrir, e dizer, é tão ingénuo, pois é, mas aprecia as coisas lindas da vida, ou melhor, para eles, quase tudo é belo, nada é Feio, a não ser os cócós dos cães, ou as amigas das avós.
26 de março de 2010
24 de março de 2010
As ruas da cidade falam baixinho
São 23:30 de uma escurecida Terça-feira de Inverno.
Há já muitas horas que o Sol partiu.
Não sei mesmo se não se trata de uma parva suposição, esta que se me assemelha a um sonho.
Sonho que sonhei que hoje vi o SOL, mas não.
Não faço ideia de qual foi a última vez que o Sol visitou a tímida Lisboa, para com ela se sentar à mesa e conversar um pouco.
O sol, tal como os Portugueses, virou as costas a Lisboa.
Corre o ano de 2010, Lisboa, já não caminha sobre os seus pés, mas sobre umas lagartas de um qualquer Tanque que o exército nunca usou e então, mui gentilmente, resolveu doá-los à Capital, na esperança, que desta forma, Lisboa fosse capaz então de passar por cima de todos os obstáculos com os quais se depara no seu triste e escurecido viver.
Mas o tiro saíu pela Culatra, nesta expressão tão discaradamente sulista. Lisboa não só não andou sobre lagartas, como fez greve.
Saíu inclusivé em todos os jornais dessa manhã. Lisboa em Greve.
À primeira vista poderia tratar-se de uma qualquer partida de Abril, mas não, Lisboa não só fez greve, como recusou sentar-se em cima daquelas grotescas lagartas, que o gentil General de Mar e Guerra, embora ninguém saiba de que guerra e de que mar, fazem parte o senhor General.
Lisboa, fez aquilo que os lisboetas não tiveram a coragem para fazer.
Amotinou-se, manifestou-se, perdeu o medo, tomou umas pastilhas para a garganta, e gritou bem Alto:
Andar é um direito, a reboque nada feito.
Parou tudo.
Os semáforos, as bombas de gasolina, os candeeiros, os esgotos, o rio, as pontes, restaurantes...
Parecia uma acção combinada.
E foi.
Mas Lisboa fala baixinho, transmitem-se informações codificadas, à boa maneira Francesa, aquando da Invasão Alemã.
Os bolos sabem mal, os autoclismos não puxam, as pedras não rolam, os candeeiros, esses sim, motores da vida nocturna do Burgo, não acenderam, e Lisboa tremeu, estremeceu, olhou de par em par, sem uma única lâmpada a iluminar, e os que olham, a tentar adivinhar ou preocupados em encontrar a cintilância desaparecida, a luz amorfa, mas apenas encontraram uma cidade regressada ao século XVIII, e á calmia noctívaga das lamparinas e dos candeeiros a petróleo, ou simplesmente velas e fósforos.
Foi impressionante subir ao Castelo de São Jorge, às apalpadelas, e ver uma cidade mantida à luz das velas, ou á desordenada iluminação das Lanternas tremelicantes.
Imaginem se assim fosse, se Lisboa se apagasse a cada noite que passasse, e se novamente se acendesse a cada manhã que vivesse.
Lisboa falaria por certo baixinho á noite, para não acordar quem descansa, e de manhã pediria aos galos que não cantassem, para que a cidade despertasse suavemente.
As ruas de Lisboa, essas sim, inromperam num silêncio ensurdecedor.
A noite trouxe consigo, o silêncio abrupto a que ninguém estava indiferente.
Foi como se pela primeira vez em séculos, Lisboa tivesse pedido descanso, o descanso que merece.
Quem atura o que esta cidade atura, quem passa pelas atrocidades que Ela (em maíusculas, porque Lisboa é sagrada) passa, merece sem dúvida umas férias de quando em vez.
Lisboa, não tem férias, não recebe o subsídio, nem o rendimento, como tal, trabalha sem folgas, de Sol a Sol, mesmo quando o Sol não aparece.
Assim, descansa Lisboa, deixar-te-emos dormir descansada, para acordares mais animada.
Há já muitas horas que o Sol partiu.
Não sei mesmo se não se trata de uma parva suposição, esta que se me assemelha a um sonho.
Sonho que sonhei que hoje vi o SOL, mas não.
Não faço ideia de qual foi a última vez que o Sol visitou a tímida Lisboa, para com ela se sentar à mesa e conversar um pouco.
O sol, tal como os Portugueses, virou as costas a Lisboa.
Corre o ano de 2010, Lisboa, já não caminha sobre os seus pés, mas sobre umas lagartas de um qualquer Tanque que o exército nunca usou e então, mui gentilmente, resolveu doá-los à Capital, na esperança, que desta forma, Lisboa fosse capaz então de passar por cima de todos os obstáculos com os quais se depara no seu triste e escurecido viver.
Mas o tiro saíu pela Culatra, nesta expressão tão discaradamente sulista. Lisboa não só não andou sobre lagartas, como fez greve.
Saíu inclusivé em todos os jornais dessa manhã. Lisboa em Greve.
À primeira vista poderia tratar-se de uma qualquer partida de Abril, mas não, Lisboa não só fez greve, como recusou sentar-se em cima daquelas grotescas lagartas, que o gentil General de Mar e Guerra, embora ninguém saiba de que guerra e de que mar, fazem parte o senhor General.
Lisboa, fez aquilo que os lisboetas não tiveram a coragem para fazer.
Amotinou-se, manifestou-se, perdeu o medo, tomou umas pastilhas para a garganta, e gritou bem Alto:
Andar é um direito, a reboque nada feito.
Parou tudo.
Os semáforos, as bombas de gasolina, os candeeiros, os esgotos, o rio, as pontes, restaurantes...
Parecia uma acção combinada.
E foi.
Mas Lisboa fala baixinho, transmitem-se informações codificadas, à boa maneira Francesa, aquando da Invasão Alemã.
Os bolos sabem mal, os autoclismos não puxam, as pedras não rolam, os candeeiros, esses sim, motores da vida nocturna do Burgo, não acenderam, e Lisboa tremeu, estremeceu, olhou de par em par, sem uma única lâmpada a iluminar, e os que olham, a tentar adivinhar ou preocupados em encontrar a cintilância desaparecida, a luz amorfa, mas apenas encontraram uma cidade regressada ao século XVIII, e á calmia noctívaga das lamparinas e dos candeeiros a petróleo, ou simplesmente velas e fósforos.
Foi impressionante subir ao Castelo de São Jorge, às apalpadelas, e ver uma cidade mantida à luz das velas, ou á desordenada iluminação das Lanternas tremelicantes.
Imaginem se assim fosse, se Lisboa se apagasse a cada noite que passasse, e se novamente se acendesse a cada manhã que vivesse.
Lisboa falaria por certo baixinho á noite, para não acordar quem descansa, e de manhã pediria aos galos que não cantassem, para que a cidade despertasse suavemente.
As ruas de Lisboa, essas sim, inromperam num silêncio ensurdecedor.
A noite trouxe consigo, o silêncio abrupto a que ninguém estava indiferente.
Foi como se pela primeira vez em séculos, Lisboa tivesse pedido descanso, o descanso que merece.
Quem atura o que esta cidade atura, quem passa pelas atrocidades que Ela (em maíusculas, porque Lisboa é sagrada) passa, merece sem dúvida umas férias de quando em vez.
Lisboa, não tem férias, não recebe o subsídio, nem o rendimento, como tal, trabalha sem folgas, de Sol a Sol, mesmo quando o Sol não aparece.
Assim, descansa Lisboa, deixar-te-emos dormir descansada, para acordares mais animada.
19 de março de 2010
Deixa lá, isso passa
2 x 2 são 4, 4 x 4 são 16.
Queres falar sobre isso?
- Epá, não me chateies.
Está bem.
Quão difícil será explicar a alguém, a magnitude daquilo que sentimos?!
Há o medo da exposição, a vergonha de dizer aquilo que se sente, de eventualmente nos sentirmos fracos, frágeis, desprotegidos, perdidos...
Pior ainda, há sem dúvida o pensamento comum, que atira com a força de uma pedrada a estranha máxima de que ninguém tem nada a ver com os problemas que temos, e que apenas a nós nos dizem respeito, que não temos nada que estar a incomodar os outros com as nossas insignificantes maleitas.
Assim sendo o que pensamos em primeiro lugar?
Isto acaba por passar, não é nada de muito importante.
ERRADO, nada está mais longe da verdade.
Normalmente somos os melhores conselheiros dos outros e os piores amigos de nós mesmos, na medida em que estamos sempre disponíveis para ouvir os outros e nunca temos tempo para nos ouvirmos a nós mesmos, empurramos os problemas para o fundo da memória.
Lamentavelmente, quando a memória enche e o espaço para resolver o que até há pouco tinha solução, se preenche por completo, então está o caldo entornado.
PorquÊ?
Porque somos estúpidos o suficiente para não aproveitar a ajuda, de quem nos quer ajudar.
Não é nem nunca será boa política, não sermos amigos de nós próprios.
Como dizia um dos anúncios mais felizes que vi, "Se eu não gostar de mim, quem gostará?"
Nada mais acertado.
Se não gostares de ti, se não te preocupares com aquilo que te faz falta, e com o que não te faz falta, os que te rodeiam irão fazê-lo, mas a certa altura cansar-se-ão desse papel, porque tu não fazes nada por ti, logo passar de um caso complicado, para um caso arrumado.
Assim se pode destruír uma vida, a nossa vida.
O pior de tudo, é que não tens muitas hióteses para voltar a tentar.
Queres falar sobre isso?
- Epá, não me chateies.
Está bem.
Quão difícil será explicar a alguém, a magnitude daquilo que sentimos?!
Há o medo da exposição, a vergonha de dizer aquilo que se sente, de eventualmente nos sentirmos fracos, frágeis, desprotegidos, perdidos...
Pior ainda, há sem dúvida o pensamento comum, que atira com a força de uma pedrada a estranha máxima de que ninguém tem nada a ver com os problemas que temos, e que apenas a nós nos dizem respeito, que não temos nada que estar a incomodar os outros com as nossas insignificantes maleitas.
Assim sendo o que pensamos em primeiro lugar?
Isto acaba por passar, não é nada de muito importante.
ERRADO, nada está mais longe da verdade.
Normalmente somos os melhores conselheiros dos outros e os piores amigos de nós mesmos, na medida em que estamos sempre disponíveis para ouvir os outros e nunca temos tempo para nos ouvirmos a nós mesmos, empurramos os problemas para o fundo da memória.
Lamentavelmente, quando a memória enche e o espaço para resolver o que até há pouco tinha solução, se preenche por completo, então está o caldo entornado.
PorquÊ?
Porque somos estúpidos o suficiente para não aproveitar a ajuda, de quem nos quer ajudar.
Não é nem nunca será boa política, não sermos amigos de nós próprios.
Como dizia um dos anúncios mais felizes que vi, "Se eu não gostar de mim, quem gostará?"
Nada mais acertado.
Se não gostares de ti, se não te preocupares com aquilo que te faz falta, e com o que não te faz falta, os que te rodeiam irão fazê-lo, mas a certa altura cansar-se-ão desse papel, porque tu não fazes nada por ti, logo passar de um caso complicado, para um caso arrumado.
Assim se pode destruír uma vida, a nossa vida.
O pior de tudo, é que não tens muitas hióteses para voltar a tentar.
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