5 de novembro de 2009

Face oculta

Tenho vindo a analisar o maravilhoso caso "FACE OCULTA" e...
pois, não me apraz tecer qualquer comentário, para que não se viole o segredo de justiça.
Este é o maravilhoso discurso tantas vezes adoptado pelas sumidades governativas do nosso Burgo, a que muitos tÊm a coragem de apelidar de país.
Isto lá é um país, se fosse um país, era unido, era forte, era orgulhoso de si mesmo e não é.
Adiante, adoro a designação que a P.J atribui a estes casos maravilhosos que povoam, com uma frequência cada vez maior, a nossa praça.
"Face Oculta", começa logo mal a coisa, isto é, o nome, só por si é um autêntico contrasenso, na medida em que a primeira que se descobre neste caso, é nada mais nada menos, que a face dos corruptos e dos corrompidos, dos culpados e dos arguidos, dos ladões e dos bandidos, dos compradores e dos vendidos. Aparecem nos jornais da noite, via televisão, e preenchem as capas dos jornais pela manhã.
Com isto esquece-se, ou melhor, OCULTA-SE, a face das polémicas que "apaixonaram" durante meses, o coração dos habitantes do Burgo.
Freeport, operação furacão, CASA PIA, tudo esquecido, à medida que as duas forças políticas do país, vão lançando casos para a praça pública, numa guerra cada vez mais acesa e sem fim à vista, que é aquela que neste momento se trava entre, BELÉM e SÃO BENTO.
Enfim, tudo vai bem no reino da bananeira.
Agora, olhar para tudo isto, ver os sacanas que roubam sem apelo nem agravo, sem qualquer tipo de escrúpulos, que continuam a ser bem tratados, que continuam a ter tempo para movimentarem os fundos desviados, para prepararem as fugas para paraísos na terra, que esses senhores bemos conhecem e costumam lá por muito dinheiro, é de facto frustrante.
Viver num país onde a criminalidade de colarinho e gravatinha de seda, é imperial e completamente intocável, é de revirar as tripas a um porco.
Os animais é que a levam direito, para eles, é literalmente, tudo preto no branco.

4 de novembro de 2009

invariável avaria

De facto, é exacatamente aquilo que penso que por vezes me acontece.
De quando em vez, ou talvez até de vez em quando, sinto que me avario, de uma forma invariavelmente cómica. No entanto essa invariável comicidade, aparece-me aos olhos sob as mais variadas formas.
Por exemplo, hoje, momento de comicidade do arco da velha, por volta da hora do almoço, recebo msg, logo seguido de telefonema, alertando-me eufórica e entusiasticamente para o facto de ter uma amiga minha de longa data, mas que não vejo já há uma data longa também, no interior de uma revista, que não vou referir, porque não quero desde já, atribuir conotações ou etiquetas mal colocadas, à pessoa em questão.
No entanto, a playboy não faz nada disso, é digna e séria com as pessoas com quem trabalha.
Apesar disso, o momento foi extremamente cómico, na medida em que, mais tarde aprecieei então a sessão fotográfica com a qual recordei a amiga que há tanto tempo não via, mas no entanto, vi coisas que nunca tinha visto, não é que a playboy fala também de desporto, que coisa espantosa, o treinador do benfica, com gloss e lantejoulas, isso é que ia ser vender revistas, ui se ia.
Mas enfim, também tenho a noção que existem partes das minhas avarias, que estão permanentemente avariadas, como é o caso de determinadas zonas do meu cérebro, que apenas servem para me impelirem a dizer as coisas mais estapafúrdias que possam ser pensadas, com o intuito de simplesmente ser parvo, mas também com a intenção clara, de dizer livre e esopntaneamente aquilo que me vai no pensamento, tentando adornar as coisas, de forma a no final da frase palerma que digo, poder ver aqueles que me escutam, tal e qual, os apóstulos do Divino, esboçarem um sorriso de alegria, se é que uma vulgar gargalhada, pode ser considerada ou incluída no espectro da alegria.
Enfim, gosto de pensar em mim como um parvo, que gosta de dizer invariáveis avarias, para que assim, consiga avariar com frequência, os obtusos e sisudos rostos daqueles que me ouvem, o objectivo?
Ser simplesmente palerma e passar os dias a rir-me de tudo e mais alguma coisa. Sou avariado? Sou? Se podia ser assim? Podia, mas o mundo não seria o mesmo.

25 de outubro de 2009

o poder de uma mesa.

Escrever é algo que a muitos diz respeito, mas que poucos têm paciência para o fazer de livre e espontânea vontade, seja por falta disso mesmo, por se acreditar na falta de talento, que por vezes é realmente mais do que evidente, ou mesmo porque acima de tudo não somos iguais, porque as diferenças que distinguem o ser humano são mais que muitas, e é essa maravilhosa heterogeneidade que torna este planeta um local tão... parvo, e na parvoíce reside por vezes a incapacidade capaz de cegar.
Mas parvo, no sentido positivista da parvoíce. Sei que será por certo difícil entender a parvoíce como positiva, que será complicado imaginar uma plataforma possível para enquadrar a estupidez e a parvoíce com a graça e a comicidade, mas digo-vos que é mesmo, como é que sei? Eus ou um autêntico parvalhão, mas um parvalhão engraçado, que não rejeita, muito pelo contrário, essa etiqueta.
Ora, voltando ao que interessa, que foi por isso que aqui vim a esta hora, que acaba de mudar, o poder de uma mesa, e a sua relação com uma prática literária mais coerente, criativa, crítica, eficaz e acima de tudo consistente.
Passei meses a trabalhar em cima do joelho, literalmente. Priemeiro foram os cadernos, as canetas, o papel, essa antiguidade quase classicista, onde muitos escreveram durante séculos e que agora é substituido por esta maravliha da tecnologia que é o computador portátil.
Estudava, sempre na véspera do testes, dos exames, fosse do que fosse, sentado na cama, curvando a espinha dorsal, tanto quanto possível, a fim de me enquadrar o melhor possível com os cadernos, os livros, os apontamentos, os sublinhados, etc.
Foram, muitos, bons, loucos e longos anos de posturas incorrectas, de dores esquisitas, parvas, mas desta feita no sentido negativo da palvara, o mais comum, e sobretudo de cansaço desnecessário.
Hoje, tudo isso foi agora posto para trás das costas, passei o dia de ontem excitadíssimo, como uma criança, que entra num parque de diversões pela primeira vez, porque sabia que ia finalmente comprar uma secretária. (Vejam bem como se pode fazer uma criança feliz com tão pouco hoje em dia, basta ir ao gigante das soluções, nãaaaaao, não é o Isaltino Morais, nem o Valentim Loureiro, estou a falar do Ikea)
Assim foi, hoje comprei-a, vim para casa, montie-a, e aqui estou agora, direito que nem um fio de prumo, uma viga de aço. O gosto e poder que esta nova postura criativa me confere, é qualquer coisa de extraordinário.
A vontade que sinto agora de me debruçar sobre estas teclas é inquantificável.
É como se se tivesse acercado de mim, a alma geradora de incentivo e de dinâmica que por vezes parecia perder-se entre as molas cansadas do meu colchão, que levou comigo durante anos, a perpetuar posições escabrosas e pressões desnecessárias, quando tudo o que ele pedia, era sossego, era que fosse morrer longe, que aqui viesse apenas para dormir, ou para brincar aos médicos, tudo o resto, que eu insiti durante anos em perpetuar, que fosse feito longe, lá para os lados da... mesa da sala por exemplo.
Enfim, quem escreve tem de se disciplinar, de se motivar, de se vergar, mas acima de tudo, tem de o fazer numa mesa, caso contrário, está o caldo entornado e o colchão estragado.